segunda-feira, 29 de abril de 2013

LENDA PETROPOLITANA: A VINGANÇA DO ESCRAVO


A grande moda da corte, em meados do século XIX, era construir casa de veraneio em Petrópolis.
Já começavam a aparecer, espalhadas pelos pontos pitorescos “as moradas de casas elegantes com jardins em que as flores da Europa fraternizam com as do Brasil” como nos fala Carlos Augusto Taunay em seu livro “Viagem Pitoresca a Petrópolis”.
José Carlos Mayrink da Silva Ferrão, não fugiu a regra. Tendo adquirido em 1850 de José Alexandre Alves Pereira Ribeiro Cisne, os prazos n˚. 127 128 e 129 do Quarteirão Vila Imperial, neles iniciou imediatamente a construção de sua casa de verão.
O belo terreno, situado bem em frente ao portão principal do Palácio Imperial, chegava até então a rua da Imperatriz, mas quando foi comprado a parte da frente já tinha sido reservada para construção de uma praça pública, atual praça da Águia.
Home bom, mas enérgico em demasia. Mayrink usou da mão de obra escrava, passando exigir o máximo de seus escravos através dos feitores. Queria, dizia ele, um edifício que pela solidez da construção resistisse a destruição do tempo, e que pela austeridade das linhas arquitetônicas, identificasse a bela época que Petrópolis vivia.
 E foi assim que tivemos “palacete sito atrás de um square armado, no centro de uma urna sobre pedestal, donde brota água”, muito mencionado pelos visitantes.
Ficara realmente muito bonito o solar plantado na graciosa elevação de terreno em meio à cerrada vegetação da mata. A praça recém aberta à frente dava-lhe ainda maior realce.
Era um prédio que honrava a vizinhança com o Palácio Imperial.
Entre os trabalhadores escravos empregados na construção havia um que era rançoso e vingativo, instigado, e quem sabe? Maltratado pelos feitores. Carregou pedra e madeira a valer e não houve piso e parede do solar que não tivesse recebido o suor do seu corpo robusto. Esse trabalho estava, porém, acima das forças do escravo, acabando por ficar doente e revoltado.
É verdade que, depois de pronto o prédio, o negro se alegrou com a beleza da obra, mas por pouco tempo, já que o ódio tomara conto do seu coração. E antes de morrer lançou uma maldição:
- Dia virá em que toda a beleza desse prédio será destruída pela mão do próprio homem!
Muitos anos se passaram sem que a maldição se realizasse.
Em 1879, morre José Carlo Mayrink da Silva Ferrão, assim o prédio passou pertencer à viúva Emilia Bernardes Mayrink, a qual em 1891, o vendeu a Francisco Paulo de Almeida, barão de Guaraciaba.
O barão foi um digno continuador das mais belas tradições do solar. Mas por pouco tempo, já que em 1894 era compelido a transferir a posse do imóvel à Câmara Municipal de Petrópolis.
Em 1891, quase que a maldição é comprida com a quase instalação de mercado público em frente ao prédio, autorizada pela Intendência Municipal, mas o ato nefasto de instalar um mercado ali, não se consumou, mais tarde se descobriu que foi um ato da Intendência de força a venda do prédio., para o Município.
Adquirindo o edifício, o Município tratou logo de fazer algumas mudanças no prédio transformando-o assim em Paço Municipal. E então o que se viu foi um desses milagres o casarão de Mayrink e de Guaraciaba ser transformado em um belo palácio, sua fachada foi realçada pela belíssima paisagem verde nos fundos conservada, passando assim a ser um dos cartões postais de Petrópolis.
A maldição parecia ter fim assim.
Porém anos mas tarde aquela paisagem que era uns dos cartões postais da cidade, como o Corcovado é para o Rio de Janeiro, não seria mais. Bem em frente a praça, a ponte de madeira foi substituído por uma de concreto, no lago que realçava a fachada do palácio, foi colocado um chafariz prejudicando assim a visão, aos fundos foi construído o prédio do Liceu Municipal com traços modernos, ao lado foi construído um horrível prédio em estilo moderno, para abrigar o a Biblioteca Municipal, mas acabou também abrigando a Fundação de Cultura e Turismo, o entorno do Praça Municipal foi transformado em estacionamento rotativo e o gramado hoje em dia é usado por jovens para usar drogas.
E foi assim que a profecia do escravo se cumpriu. A bela do prédio foi destruída pela mão do homem!

Jardim em frente ao prédio

Ponte de madeira


O Palácio Amarelo hoje

Nenhum comentário:

Postar um comentário