segunda-feira, 29 de abril de 2013

LENDA PETROPOLITANA: O SACI-PERERÊ DA MARIA COMPRIDA


 No rio da Cidade, 2º distrito do município e vale que se prolonga de Bonsucesso à Fazenda Inglesa, passando pelo local outrora conhecido por “Hespanhóis”, existe o elevado penhasco da Maria Comprida. Pela altitude, consistência rochosa e forma, lembra muito o Pão de Açúcar da Baia de Guanabara, Rio de Janeiro. Em torno dessa grande pedra de há alguns anos formou-se uma lenda.
 Sem dúvida, a tradição popular com relação ao fato é tão velha como o pequeno arraial abandonado que em ruínas se encontra nas proximidades da “Maria Comprida”.
“Maria Comprida”, pelo capricho de suas formas, pela arrogância galharda com que sobe aos céus, desperta logo a atenção do espectador:
 - Como seria esplendida uma excursão ao alto daquela pedra... Que panorama extraordinário se deve descortinar lá de cima...
 - Não caia nisso, advertirá logo qualquer morador daquela zona. E explicará.
 Antigamente, de vez em quando, alguém subia a montanha com intenção de alcançar o cume da elevação. Todos viam-no partir cheio de esperanças e resoluto mas... aquela pessoa nunca mais voltava a ser vista na localidade.
Tantos foram aqueles a quem aconteceu tal coisa que veio, afinal a explicação do sumiço dessas pessoas : Maria Comprida é habitada no seu cume, pelo Saci Pererê!
Saci Pererê, como se sabe é o ente fantástico negrinho de uma perna só, que persegue os viajantes ou arma para eles ciladas pelo caminho.
E os temerários que ousaram galgar as alturas de Maria Comprida ajustaram contas, todos eles, com Moleque Saci, desaparecendo para sempre.
Só uma vez, afirmavam os antigos, chegou a ser visto o Saci Pererê da Maria Comprida, mas tanto tempo faz que ninguém sabe explicar onde e como.
E durante muito tempo um velhinho curvado pelo peso da idade, a pessoa que, num humilde rancho de sapê, morava mais perto da pedra gigantesca, contava que o Saci Pererê ali estava para lembrar às criaturas a pequenez humana. E fazer-lhes ver o perigo das grandes alturas.
Na verdade, há na natureza obras que constituem verdadeiros símbolos da vontade do Criador. É preciso que, mesmo nas coisas terrenas a humanidade admire com respeito as obras de Deus, não procurando descobrir os seus mistérios.
E quem olhar para majestosa Maria Comprida compreenderá logo que as palavras do velhinhos são verdadeiras.




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