terça-feira, 16 de abril de 2013

A FAZENDA DO PADRE CORREIA E A COMPRA DA FAZENDA DO CÓRREGO SECO


Da sesmaria de Manuel Antunes Goulão, originou-se a Fazenda do Padre Correia, sendo a mais importante comunidade agricultura e manufatureira do vale do rio Piabanha.
Devido a sua localização a beira do Caminho Novo, oferecia hospedagem e alimentação aos tropeiros que transitavam pela via.
A sede da Fazenda encontra-se na confluência dos rios Morto e Piabanha, tempos mais tarde deu origem ao bairro de Correias.
Antonio Tomás de Aquino Correia da Silva, mais conhecido como Padre Correia, era nascida na Fazenda do Rio da Cidade, conforme sua certidão de batismo:


"Aos 15 dias do mês de Abril de 1759, na Capela de Nossa Senhora do Amor de Deus, no Rio da Cidade, filial desta freguesia de Nossa Senhora da Piedade do Inhomirim, batizou e pôs os santos óleos de licença o reverendo padre Manuel Gonçalves Ramos a ANTONIO, filho legítimo de Manuel Correia da Silva e de sua mulher Brites Maria de Assunção Goulão, neto paterno de Antonio Correia e de Maria Marques da Silva e materno de Manuel Antunes Goulão e de Caetana de Assunção. Foram padrinhos Antonio Rodrigues Sá e Ana Maria, mulher do dito, todos fregueses desta freguesia.
Antônio Francisco Bittencourt, vigário."


Antonio Correia, dedicou-se ao estudos das ciências humanas e teologia, tendo seguido carreira eclesiástica, sendo ordenado sacerdote em 1783. Começou a ministrar os sacramentos na região do vale do Piabanha, batizando, celebrando missas e casamentos na Capela do Rio da Cidade e na Capela da fazenda de sua família dedicada a Nossa Senhora do Amor de Deus.
Os ancestrais do Padre Correia, os Goulão Correia, foram os portugueses pioneiros que colonizaram o “Sertão do Índios Coroados”, no vale do Piabanha,
Seu pai Manuel Correia da Silva, era proprietário da sesmaria do Rio da Paciência onde hoje se localiza o Bairro Carangola, Vale do Caetitu e Bonsucesso.
Sua mãe Brites Maria de Assunção, era filha única de Manuel Antunes Goulão, dono da sesmaria do Rio da Cidade, onde construiu a Capela de Nossa Senhora do Amor de Deus e anos mais tarde adquiriu a quadra do Rio Morto, criando ali um sitio, hoje Correias. Com a morte e Goulão, seus bens passaram como herança para sua filha Brites. Assim Manuel Correia da Silva, passou a ser o maior proprietário de terra de “Serra Acima”, indo do rio da Paciência, hoje Carangola, ao sitio da Ponte, atual Bonsucesso.
Manuel Correia construiu sua mansão no sitio da Posse, orando-a com cristais, moveis de madeira de lei e uma riquíssima biblioteca, a qual influenciou em muita na escolha da carreira eclesiástica e o estudo pelas ciências humanas do padre Correia. Ao lado da casa-grande, foi construída a Capela de Nossa Senhora do Amor de Deus. Aonde se encontrava a imagem da Virgem Maria, esculpida em madeira e pintada cm detalhes em ouro segurando no peito uma pomba, simbolizando o Espírito Santo, trazida de Portugal é considerada a mais antiga imagem sacra de Petrópolis, sendo a padroeira da Diocese de Petrópolis.
Por ser o mais velhos dos 6 filhos de Manuel e Brites, o sitio da Posse, ficou sobre administração do padre a partir de 1804, passando a ser conhecido como “Fazenda do Padre Correia”, considerada a fazenda mais próspera do Caminho Novo.
Na fazenda havia plantação de frutas de clima europeu, principal produto de comércio da propriedade com a Corte no Rio de Janeiro, e também possuía fabricação artesanal de ferraduras. Padre Correia ficou 20 anos a frente dos trabalhos da fazenda contribuindo em muito para o desenvolvimento agrícola do atual Estado do Rio de Janeiro.
A 19 de junho de 1824, faleceu de morte natural aos 65 anos o Padre Correia, deixando de herança a fazenda para sua irmã Dona Arcângela Joaquina.
Em 1829, D. Pedro I, admirador do clima da serra propôs a compra da Fazenda a D. Arcângela, com intuito de ali edificar um palácio de veraneio para fugir da agitação urbana e o calor do Rio de Janeiro, a fim de passar dias aconchegantes com a família na região. Porém a proprietária alegando motivos sentimentais e familiares não aceitou a proposta, mas indicou ao Imperador uma fazenda próxima do Sargento-Mor José Vieira Afonso, a do Córrego Seco que se encontrava a venda. Sendo assim, na volta a caminho da Corte, Pedro I, parou na Fazenda do Córrego Seco e fez a compra da propriedade pela quantia de 20 contos réis.

Fonte:
RABAÇO, Henrique José. História de Petrópolis, IHP. 1985.




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