terça-feira, 30 de abril de 2013

A ESTRADA DE FERRO DE PETRÓPOLIS



Alcindo Sodré


A primeira linha férrea construída no Brasil foi a da Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis, por concessão feita a Irineu Evangelista de Souza, pelo decreto do Poder Executivo de 12 de Junho de 1852.
A inauguração do primeiro trecho concluído, que ia do Porto de Mauá até ao Fragoso próximo da Raiz da Serra, verificou-se a 30 de Abril de 1854.
As solenidades festivas estiveram bem à altura da importância do empreendimento.
Logo pela manhã desse dia inúmeras embarcações partiram do Rio de Janeiro carregadas de gente que desejava alcançar o porto de Mauá antes de Suas Majestades e sua corte, para apreciar em todos os seus detalhes, as cerimônias com que seria consagrado o inicio de tão importante melhoramento para a vida nacional.
A hora aprazada atracou o navio que conduzia Suas Majestades e logo uma girândola de foguetes anunciou o seu desembarque. Inúmeras bandeiras agitavam-se ao vento, como que partilhando das estrondosas saudações e dos acordes de uma banda marcial. Suas majestades recebidas pelo diretor da empresa atravessam duas extensas de pessoas, acompanhados por notáveis do império, dirigindo-se para o local destinado. Um dos grandes armazéns de ferro, tinha sido preparado com a galerias para acomodar os assistentes tendo ao centro dispostos, não só os tronos do Imperador e da Imperatriz, como a capela e o altar improvisados onde o bispo iria celebrar, bem como os lugares, distintos para os ministros de Estado e o corpo diplomático.
Quando o Imperador tomou o lugar que lhe tinha sido reservado, principiou o cerimonial da benção das locomotivas, ao som de música apropriada ao ato.
Feito o que, as máquinas preparam-se para a viagem. Pedro II e Thereza Cristina foram conduzidos a seu carro pelo sr. Irineu Evangelista de Souza, enquanto os demais convidados tomavam assento em outras seções, partiu o trem sob delirantes vivas da multidão entusiasmada.
Soldados da Guarda Nacional estavam postados ao longo da linha e todas as alturas estavam cheias de espectadores.
A chegada do comboio ao Fragoso foi saudada por foguetes. Suas Majestades e comitiva desceram e foram servidos de refrescos, voltando logo depois para Mauá, caminhando o trem, numa média de 35 milhas por hora.
O Imperador e sua consorte, ao aparecerem manifestaram a viva satisfação de que se achavam possuídos e a agradável impressão que se inaugurava no Brasil.
Irineu de Souza, presidente da empresa, dirigiu-se então a S. M. Imperador, discorrendo com precisão sobre as vantagens que as estradas de ferro trariam ao Império e estas foram as suas ultimas palavras:
“Este caminho de ferro, Senhor, não será destinado a circunscrever-se dentro dos atuais limites, e se me é licito contar coma proteção de V.M.I., ele certamente não terminará sem que sua mais vasta estação seja colocada na margem esquerda do Rio das Velhas. Ali se acumularão, para ser transportadas ao mercado do Rio, essas imensas massas de produção, com que contribuirá para a prosperidade pública, a região banhada por essa importante, arteira fluvial do Rio São Francisco. Será então, Senhor, que a majestosa Bahia, cujas águas banham as costas da capital do Império, verá seus espaçosos e abrigados ancoradouros cobertos de inumeráveis navios. Então, Senhor, será o Rio de Janeiro o centro do comércio, da industria da saúde, da civilização e da força, nada tendo que invejar a lugar algum do mundo.”
S.M. o Imperador, assim lhe respondeu:
“Os diretores da Imperial Estrada de Ferro de Petrópolis e da Companhia de Navegação a Vapor podem ficar certos de que por igual compartilho o seu regozijo na estréia de uma empresa que tem de animar tão grandemente o comércio, as artes e a indústria deste Império.”
Nessa altura, S.M. conferiu ao Sr. Irineu de Souza, o título de Barão de Mauá, em reconhecimento dos serviços prestados a Pátria.
Acompanhado pelo Barão de Mauá e engenheiros, Sua Majestade percorreu depois as obras de linha e as oficinas.
 A estação tinha sido grandemente enfeitada e nela se achava servido farto banquete, do qual participaram o Imperador e seu séquito, bem como todas as pessoas gradas, enquanto outros três partiam, conduzindo muitos espectadores.
Em 1858, a conhecida revista britânica “London Illustrated News”, dedicou interessante crônica, com gravuras, sobre esse memorável acontecimento nacional e nela foi escrito o seguinte:
“Quando refletimos que as obras deste caminho de ferro foram executadas no curto espaço de 20 meses, debaixo dos ardentes raios de um Sol Tropical e tão grande distância da Inglaterra, não podemos regatear louvores aqueles que se abalançaram a semelhante obra.
Felicitamos sinceramente os brasileiros pelo nobre espírito que desenvolveram no começo dessa obra de tanta magnitude.”
Em 26 de Março de 1856, no Relátorio da Imperial Companhia de Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis apresentado a Assembleia Geral de Acionistas, o Sr. Barão de Mauá, como seu presidente, dizia:
“ Acha-se concluído o trilho até a Raiz da Serra. Toda a estrada acha-se no melhor estado, tendo resistido a notáveis provações em conseqüência das grandes enchentes que temos presenciados nos últimos seis meses, sendo uma delas superior a qualquer outra das que se tem observado desde o ano de 1854.
A solidez da construção da estrada de ferro de Mauá não pode, pois ser mais posta em dúvida. Uma linha férrea singela, constituída sobre um terreno, parte do qual não podia ser pior para semelhantes construções, e que o trânsito público tenha sido interrompido um só dia, está a prova de tudo.
A estação do Alto da Serra no começo, da Vila Thereza, compõe-se de um vasto edifício de ferro. O elevado algarismo que representa o custo desta estação foi em parte devido à enormidade do serviço de aterros que foi preciso fazer naquela localidade.
A estação da Raiz da Serra, que se compõe de três  grandes armazéns de ferro, chegou de Inglaterra em principio os vapores “Guarani”, “Mauá” e “Piabanha”. Transitaram na linha férrea no ano próximo passado, 31.3982 passageiros, produzindo a renda de 126:796$800.”
E nas considerações gerais sobre a importância da obra realizada, escreveu ainda o Barão de Mauá:
 “Se a produção em obediência a condições naturais se opera a grandes distâncias do litoral, forçoso é franquear-lhe passagem rápida e econômica até os grandes mercados do litoral , sob pena de retrogradar o país, de perigar a civilização. Os meios primitivos que eram até agora facultados a produção para vir procurar mercado, não bastam para vir procurar mercado, não bastam para satisfazer as exigências crescentes da nossa riqueza agrícola. O valor do produto transportado mesmo de distancias moderadas é quase que absorvido pelas despesas do semelhantes estado não pode, não deve continuar. E ao clamor público que já se fez ouvir, ao brado unânime de – Estradas! – e repercute de todos os ângulos do Império, respondem finalmente os governantes – Estradas!”
O prolongamento da linha férrea até Petrópolis, que se verificaria após trinta anos do tráfego existentes na baixada foi vencendo aos poucos, as dificuldades da serra. A 4 de Janeiro de 1883, passava o primeiro trem pelo viaduto da Grota Funda. O fato constituiu festa local com grande afluência de povo. O trem composto de uma locomotiva e três carros levavam a diretoria da Estrada e sua comitiva. Em bosque ao lado da cachoeira da Grota Funda, foi servido esplendido almoço, tocando na ocasião a banda “15 de Março”. Entre os oradores discursou o senador Christiano Ottoni, enaltecendo a obra dos engenheiros patrícios e em especial a figura do Barão de Mauá, “o pioneiro da estrada de ferro no Brasil”.
E a 11 de Fevereiro do mesmo ano, pelas 9 horas da manhã de um domingo, chegava a Petrópolis a primeira locomotiva, conduzindo S. M. o Imperador e grande número de passageiros vindo da Corte. Ficou, assim completado o trecho da serra até Petrópolis, construído que foi pelo engenheiro Joaquim Lisboa, com auxilio de Marcellino Ramos. O sistema da serra, em cremalheira, era o do europeu Nicolau Rigenbach. Foram seus concessionários Berrini e os Calógeras (Miguel e Pandiá) e da companhia que então se organizou (Estrada de Ferro Príncipe Grão Pará, com plano de estender-se até S. José do Rio Preto) foi presidente o Sr. João da Silva Coutinho.
A 30 de Abril de 1884, presentes na estação de Petrópolis, o juiz de Direito e demais autoridades, a diretoria da Companhia Príncipe Grão Pará e muitos espectadores, foram inaugurados o busto do Visconde de Mauá, em comemoração, ao 30° aniversário da abertura ao trafego da primeira via ferra do país.
Falou, em saudação a Mauá, que se achava presente o presidente da diretoria João Martins da Silva Coutinho, de cujas palavras constaram as seguintes:
“Para vencer a serra da Estrela, despendeu o Visconde de Mauá avultados capitais em diversas tentativas e ainda foi o primeiro que mandou estudar na serra a aplicação do sistema de cremalheira. Dando assim o mais solene testemunho do apreço em que tem os importantes serviços do Visconde de Mauá, a diretoria não só manifesta seus próprios sentimentos como também o dos acionistas da companhia que representa. Viva o Visconde de Mauá!”

Artigo publicado:
Trabalhos da Comissão do Centenário - Vol. II, 1939


NOTÍCIAS NOS JORNAIS DE PETRÓPOLIS SOBRE MACUMBAS NA CIDADE NA DÉCADA DE 1930


Jornal de Cascatinha
Domingo, 30 de novembro de 1930
ANO IV – NUMERO 176
página 2

MACUMBAS

 Na dilligencia effectuada em 11 do corrente, pela policia de Petrópolis, à rua Paulino Áfono, foi prezo Ramiro Ramos, como autor de “macumbas” e com elle trazidos á séde  da Região Policial os seguintes objectos:
 Uma caveira com um lenço encarnado amarrado, uma caçarolla de barro, uma panella de barro com pedaços de vela e varios bilhetes, um vidro de remédio, um punhal que foi encontrado enterrado, um molho de hervas medicinaes, pó de sapats, etc...
 Segundo apuramos na policia a caveira pertence aos despojos de um parente de distinta família petropolitana.
 O sapo encontrado com a bocca cosida, no Cemitério Municipal, foi obra dessa macumba.
 Um bilhete dizia assim:
 “Pai José, mando-lhe falar que o homem veio do Rio e tomou 2 banhos, um no dia que veiu e outro hontem. Está insupportável de se aturas e está tomando o remédio como o sr. Mandou e peço que o sr. me diga eu vou fazer doente.
João Borba”
 Um cartão de visitas de Frederico Mesquita, Cartographo 1º Distrito Artilharia da Costa – lia-se isso:
 “Vou jantar no Falcone e volto”.
 Diziam os autores da dilligencia policial que nos fundos da casa havia um Bode enterrado.

EM CASCATINHA TAMBÉM

 Quem teria feito? – Ninguém sabe. A verdade porém é que foi encontrado na subida para o Morro da Bôa Vista, na Estrada da Saudade, uma vela acesa ao lado de um frango assado, as 10hs da noite de quinta-feira. Arthur Viera e Arthur Pazeto ao passar por ali aquella hora da noite, viram esse “despacho”, tendo o primeiro dado um pontapé no tal trabalho, que se pressume tivesse sido feito naquelle momento.
 Policia, onde estaes que não respondes?...


Jornal de Cascatinha
Domingo, 2 de agosto de 1931
ANO IV – NUMERO 211
página 2

AS MACUMBAS

RECEBEMOS:

 “Ilmo. Snr. Redator do Jornal de Cascatinha.”
 Saudações.
 Leitor assíduo de vosso jornal, peço-vos por isso auxiliar-me na extirpação de mais uma nova calamidade que está assolando a nossa linda Petrópolis, e principalmente Cascatinha.
 Trata-se aqui dos “charlatões” de baixo e falso esperitismos ou seja: a “macumba” com todos os seus horrores praticada impunemente e com prejuízo e não pequeno para a sociedade. Sendo eu um operário da fabrica de tecido e chefe de família, sinto –me na obrigação de recorrer a vós para que seja repremida tão degradante, quanto atrazada pratica.
 Pessôas com pouca experiência, aliás como venho observando, deixam-se levar por outras já inciadas em tão errada doutrina, arrastando assim famílias inteiras que sujeitam a batuques e dansar durante toda noite, com acompanhamento de cantos bizarros e sem nexo – enfim, passam-se coisas inacreditáveis em tais casas.
 Segundo o tal chefe, para desenvolver um médium, agarram uma moça (ingênua, vá se dizendo!) pelos braços e sacodem-na até roxear-lhes os braços e isto é para desenvolver... e outras babuzeiras mais.
 Logares da Macumba:
 Picada da Saudade, Beco no Aterro Alto, Samambaia, Quarteirão Suisso em Petrópolis.
 A direcção cem deste ultimo bairro citado – uns mulatos que bancam o “Pai de Santo”.
 Peço vos auxiliar-me e bem assim à moral da família operaria de Cascatinha.
 Vosso assíduo leitor, F.K.Y”


Tribuna de Petrópolis
Quarta-feira, 20 de maio de 1931
ANO XXIX  Nº 116
1ª página

A POLICIA VAREJOU UMA “MACUMBA”

 Hontem, entre as 21 e 22 horas, a policia varejou uma “macumba” na Provisória, que se achava em plena sessão.
 Não podendo escapar, a turma toda, em numero de 22 pessoas, foi embarcada num autocaminhão, transformada em “viúva alegre” e conduzida á delegacia.
 Pouco tempo ali, estiveram, mandando-os embora o sr. subdelegado. É que os macumbeiros apresentaram documentos que lhes permitiram o funcionamento!!!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

LENDA PETROPOLITANA: O SACI-PERERÊ DA MARIA COMPRIDA


 No rio da Cidade, 2º distrito do município e vale que se prolonga de Bonsucesso à Fazenda Inglesa, passando pelo local outrora conhecido por “Hespanhóis”, existe o elevado penhasco da Maria Comprida. Pela altitude, consistência rochosa e forma, lembra muito o Pão de Açúcar da Baia de Guanabara, Rio de Janeiro. Em torno dessa grande pedra de há alguns anos formou-se uma lenda.
 Sem dúvida, a tradição popular com relação ao fato é tão velha como o pequeno arraial abandonado que em ruínas se encontra nas proximidades da “Maria Comprida”.
“Maria Comprida”, pelo capricho de suas formas, pela arrogância galharda com que sobe aos céus, desperta logo a atenção do espectador:
 - Como seria esplendida uma excursão ao alto daquela pedra... Que panorama extraordinário se deve descortinar lá de cima...
 - Não caia nisso, advertirá logo qualquer morador daquela zona. E explicará.
 Antigamente, de vez em quando, alguém subia a montanha com intenção de alcançar o cume da elevação. Todos viam-no partir cheio de esperanças e resoluto mas... aquela pessoa nunca mais voltava a ser vista na localidade.
Tantos foram aqueles a quem aconteceu tal coisa que veio, afinal a explicação do sumiço dessas pessoas : Maria Comprida é habitada no seu cume, pelo Saci Pererê!
Saci Pererê, como se sabe é o ente fantástico negrinho de uma perna só, que persegue os viajantes ou arma para eles ciladas pelo caminho.
E os temerários que ousaram galgar as alturas de Maria Comprida ajustaram contas, todos eles, com Moleque Saci, desaparecendo para sempre.
Só uma vez, afirmavam os antigos, chegou a ser visto o Saci Pererê da Maria Comprida, mas tanto tempo faz que ninguém sabe explicar onde e como.
E durante muito tempo um velhinho curvado pelo peso da idade, a pessoa que, num humilde rancho de sapê, morava mais perto da pedra gigantesca, contava que o Saci Pererê ali estava para lembrar às criaturas a pequenez humana. E fazer-lhes ver o perigo das grandes alturas.
Na verdade, há na natureza obras que constituem verdadeiros símbolos da vontade do Criador. É preciso que, mesmo nas coisas terrenas a humanidade admire com respeito as obras de Deus, não procurando descobrir os seus mistérios.
E quem olhar para majestosa Maria Comprida compreenderá logo que as palavras do velhinhos são verdadeiras.




LENDA PETROPOLITANA: A VINGANÇA DO ESCRAVO


A grande moda da corte, em meados do século XIX, era construir casa de veraneio em Petrópolis.
Já começavam a aparecer, espalhadas pelos pontos pitorescos “as moradas de casas elegantes com jardins em que as flores da Europa fraternizam com as do Brasil” como nos fala Carlos Augusto Taunay em seu livro “Viagem Pitoresca a Petrópolis”.
José Carlos Mayrink da Silva Ferrão, não fugiu a regra. Tendo adquirido em 1850 de José Alexandre Alves Pereira Ribeiro Cisne, os prazos n˚. 127 128 e 129 do Quarteirão Vila Imperial, neles iniciou imediatamente a construção de sua casa de verão.
O belo terreno, situado bem em frente ao portão principal do Palácio Imperial, chegava até então a rua da Imperatriz, mas quando foi comprado a parte da frente já tinha sido reservada para construção de uma praça pública, atual praça da Águia.
Home bom, mas enérgico em demasia. Mayrink usou da mão de obra escrava, passando exigir o máximo de seus escravos através dos feitores. Queria, dizia ele, um edifício que pela solidez da construção resistisse a destruição do tempo, e que pela austeridade das linhas arquitetônicas, identificasse a bela época que Petrópolis vivia.
 E foi assim que tivemos “palacete sito atrás de um square armado, no centro de uma urna sobre pedestal, donde brota água”, muito mencionado pelos visitantes.
Ficara realmente muito bonito o solar plantado na graciosa elevação de terreno em meio à cerrada vegetação da mata. A praça recém aberta à frente dava-lhe ainda maior realce.
Era um prédio que honrava a vizinhança com o Palácio Imperial.
Entre os trabalhadores escravos empregados na construção havia um que era rançoso e vingativo, instigado, e quem sabe? Maltratado pelos feitores. Carregou pedra e madeira a valer e não houve piso e parede do solar que não tivesse recebido o suor do seu corpo robusto. Esse trabalho estava, porém, acima das forças do escravo, acabando por ficar doente e revoltado.
É verdade que, depois de pronto o prédio, o negro se alegrou com a beleza da obra, mas por pouco tempo, já que o ódio tomara conto do seu coração. E antes de morrer lançou uma maldição:
- Dia virá em que toda a beleza desse prédio será destruída pela mão do próprio homem!
Muitos anos se passaram sem que a maldição se realizasse.
Em 1879, morre José Carlo Mayrink da Silva Ferrão, assim o prédio passou pertencer à viúva Emilia Bernardes Mayrink, a qual em 1891, o vendeu a Francisco Paulo de Almeida, barão de Guaraciaba.
O barão foi um digno continuador das mais belas tradições do solar. Mas por pouco tempo, já que em 1894 era compelido a transferir a posse do imóvel à Câmara Municipal de Petrópolis.
Em 1891, quase que a maldição é comprida com a quase instalação de mercado público em frente ao prédio, autorizada pela Intendência Municipal, mas o ato nefasto de instalar um mercado ali, não se consumou, mais tarde se descobriu que foi um ato da Intendência de força a venda do prédio., para o Município.
Adquirindo o edifício, o Município tratou logo de fazer algumas mudanças no prédio transformando-o assim em Paço Municipal. E então o que se viu foi um desses milagres o casarão de Mayrink e de Guaraciaba ser transformado em um belo palácio, sua fachada foi realçada pela belíssima paisagem verde nos fundos conservada, passando assim a ser um dos cartões postais de Petrópolis.
A maldição parecia ter fim assim.
Porém anos mas tarde aquela paisagem que era uns dos cartões postais da cidade, como o Corcovado é para o Rio de Janeiro, não seria mais. Bem em frente a praça, a ponte de madeira foi substituído por uma de concreto, no lago que realçava a fachada do palácio, foi colocado um chafariz prejudicando assim a visão, aos fundos foi construído o prédio do Liceu Municipal com traços modernos, ao lado foi construído um horrível prédio em estilo moderno, para abrigar o a Biblioteca Municipal, mas acabou também abrigando a Fundação de Cultura e Turismo, o entorno do Praça Municipal foi transformado em estacionamento rotativo e o gramado hoje em dia é usado por jovens para usar drogas.
E foi assim que a profecia do escravo se cumpriu. A bela do prédio foi destruída pela mão do homem!

Jardim em frente ao prédio

Ponte de madeira


O Palácio Amarelo hoje

LENDA PETROPOLITANA: O ESTRANHO PASSAGEIRO DA MADRUGADA


Numa fria madrugada do nosso inverno um táxi dos poucos de tinham ousado permanecer no ponto da Bacia (atual Praça D. Pedro)foi levar um passageiro ao Quarteirão Brasileiro.
A Avenida Barão do Rio Branco, estava envolta toda ela, em pesada neblina e o frio, mesmo dentro do carro cortava.
O motorista, gélido e sonolento deixara o freguês em casa e, descendo o Quarteirão Brasileiro, pensava que o dia estava ganho e, portanto, o melhor a fazer seria ir para casa e dormir. E já sonhava com os cobertores, quando ao entra na Avenida Barão do Rio Branco novamente, um cidadão muito bem arrumado de fraque cinza, fez sinal para o táxi parar e pediu ao motorista que o levasse à casa do Barão do Rio Branco.
Como o novo destino não desvia do trajeto de sua cãs, o motorista abriu a porta do carro e o passageiro fazendo ranger as molas do veículo, tão pesado que era, sentou-se no banco traseiro.
Devagar tocou o carro em marcha lenta, pela rua acima. Ao chegar ao prédio de destino acendeu a luz, abriu a porta e esperou o passageiro sair, como o este se demorou muito a sair, o motorista se virou para trás e para seu espanto, não tinha ninguém no banco de trás.
Assustado, o homem saltou do veículo, olhou nervosamente em volta e correu ao portão do prédio.
Onde estaria o passageiro? Perguntava a si próprio atônito, parado no meio da rua.
E quando esta voltando para o carro para procurar o tal homem gordo trajando fraque, quando raciocinando melhor, estranhou, que tida sido mandado levar o passageiro para a Casa do Barão do Rio Branco, personalidade morta há tantos anos. E mais a fisionomia daquele homem era igual a  do Barão do Rio Branco!
Devia ser, então um espírito o estranho passageiro que tomara seu táxi!
Extremamente apavorado o motorista entrou no carro e em alta velocidade saiu daquele lugar. E até a época em que esta lenda foi publicada por Gabriel Kopke Froés, o motorista e arrepiava ao relembrar os momentos de terror, ao ver que o passageiro era o espírito do Barão do Rio Branco.


LENDA PETROPOLITANA: JORNAL.. NAL...NAL... NAL!...


Faz já muito tempo que moravam em subúrbio do Rio dois jovens pertencentes a famílias vizinhas, entre os quais diário acabou criando verdadeira amizade.
Da amizade ao amor, foi um passo e, um belo dia, um olhar mais terno, um sorriso, um encontro furtivo e eis que o amor explodiu forte e sincero no peito de Jorge e no coração de Marieta – os dois jovens vizinhos.
Eram pobres os dois mas que importava?... Lá na serra, ainda estava de pé a choupana em que Jorge nascera e se criara. Iriam viver lá!
O altar, a festinha em casa, a despedida na estação da estrada Ferro e foram-se os dois certo dia, rumo à serra em busca da felicidade.
A casinha em plena mata abrigou, por longo tempo, o que se podia chamar um casal feliz. Jorge, dedicando-se com afinco ao trabalho alcançara boa situação na fábrica; enquanto que Marieta, embora também trabalhando na mesma fábrica não se descuidava do trato da casa e do carinho devido ao marido.
Não possuíam filhos, e faina era grande e a localidade era erma e triste; mas os dois jovens sabiam com distrair o espírito. Aos domingos após a santa missa rezada na capelinha do povoado, tomavam o trem e subiam a Petrópolis para passar o dia, ou desciam ao Rio em visita a parentes.
Entretanto, uma notícia recebida do Rio viria transtornar completamente Jorge. Falecera um tio rico, legando-lhe uma pequena fortuna.
- Era o que nos faltava; agora você poderá ter, enfim, o conforto que merece. – dizia ele, todo satisfeito, à sua Marieta.
A notícia pertubara-o tanto que, ao invés de ficar chocado com a morte do parente. Joprge se alegrara com a perspectiva da herança.
Marieta, porém, recebeu a novidade friamente. Teve como que um pressentimento cruel...
 - Não vá buscar esse dinheiro que não nos faz falta. – dizia ela súplice ao esposo. Continuemos a viver, aqui neste cantinho, a nossa vida simples e sossegada.
Mas o rapaz a nada atendeu e foi para o Rio de Janeiro.
Passou um dia sem que Jorge voltasse. Era a primeira vez que os dois se separavam de maneira que a espera para Marieta foi deveras penosas
Na manhã seguinte, muito cedo ainda, já se achava ela, na pequenina estação do Meio da Serra, à espera do primeiro trem. Mas Jorge não chegou nele, nem nos outros. E foi muito abatida que voltou a noite, para o lar.
 - Está retido no Rio por causa das complicações do inventário, dizia ela para si mesma, tendo se acalmar.
 Mas, vinha-lhe logo a dúvida: por que não avisava?
Outra noite de agonia, transcorreu e novo dia despontou, trazendo talvez para Marieta a volta de Jorge.
Mas qual... ele não voltou naquele dia, nem nos que se seguiram.
Na casinha da serra, tudo é agora silêncio e tristeza. Ninguém mais vê, nem ouve a desolada Marieta.
A crueldade do golpe sofrido parece ter-lhe tirado a vontade e o raciocínio; já não trabalhava, não falava, nem parecia preocupar-se com o destino do marido.
Passa-se, porém outra noite... amanhece... lá fora, na floresta, gorgela a passarada, saudando o sol!
Súbito, estala na rua da casinha uma gargalhada... uma gargalhada... estridente, nervosa, diferente...
E Marieta que ora chora baixinho, ora balbucia palavras sem nexo, ora ri com estéprito.
A coitada não resistira a dor estava louca!
Mas eis que ela sai, enfim de casa, rumo a estação de trem, mal ouvira os primeiros apitos de trem galgando a serra. Percebe-se que entre outras coisas, ela murmura: - “Meu Deus, como não me lembrei de procurar noticias dele nos jornais? Ou então: “ Os jornais devem dizer o que houve com ele.”
Chegou a primeira composição de trem e Marieta bem próxima dos vagões, braços erguidos e olhar esgazeado, grita para os passageiros: “Me dá jornal!... me dá jornal!...”
Tão fora de si estava ela, entretanto, que nem reparava que os passageiros, condoídos atendiam ao apelo, atirando-lhe em quantidade, os jornais já lidos.
E assim faz com as diversas composições de trem que subiam a serra  - “Me dá jornal, por amor de Deus!...” pedia ela incessantemente.
Os garotos da localidade atraídos pela cena apanhavam os jornais e os oferecia a Marieta que, entretanto, nem olhava para eles.
Desaparecido o último cagão, a louca, recolhe-se à casa. E dali em diante, na sua loucura mansa, a coitada mal ouvia os apitos das locomotivas e corria para junto do leito da estrada e iniciava seu peditório. Sempre indiferente aos jornais atirados!
Mas os garotos acostumaram-se a apanhar esses jornais que iam vender aos pequenos comerciantes da povoação.
De Jorge nunca mais houve noticia. E Marieta pediu jornal durante alguns anos morrendo, tristemente, em sua encantada casinha da serra.
O apelo de Marieta, porém perpetuar-se-ia na voz das crianças que até hoje, à passagem dos trens entoam o coro plangente tão nosso conhecido: “Jornal... nal!... nal!... nal!... nal!...”


segunda-feira, 22 de abril de 2013

RODOLPHO HAACK E O PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS


Numa bela tarde de verão em Petrópolis, o presidente Getúlio Vargas passeava pela Avenida 15 de Novembro, atual Rua do Imperador com seu jeito peculiar de cruzar as mãos nas costas, e fez uma parada em frente ao antigo cinema Capitólio, para admirar a paisagem e conversas com as pessoas que passavam pela calçada.
 Rodolpho Haack fotógrafo e proprietário de um estabelecimento de ótica na mesma rua do cinema viu o então presidente da república parado diante do Capitólio e não perdeu tempo, pegou sua maquina fotográfica se posicionou em frente ao cinema, na beira do rio Quitandinha, focalizou Getúlio e bateu a foto.
 Mais tarde, Haack fez uma ampliação da foto e colocou em exposição na vitrine de sua loja, rapidamente uma multidão se aglomerou em frente “A Óptica”. Mas como uma simples foto fez surgir aquele aglomerado de gente a sua porta? Simples, nessa ocasião estava em cartaz o filme: “O Ladrão Romântico” no Cinema Capitólio, e esse título fez fundo na fotografia de Getúlio. Esse foi o motivo para o tal aglomerado.
 Logo, a notícia da foto do “ladrão romântico”, chegou ao ouvido da Segurança de Vargas, que imediatamente foi averiguar o fato. Sem que o fotógrafo pudesse dar explicações, foi preso e conduzido para cadeia de Niterói, incomunicável.
 Quando Vargas sobe da prisão e do motivo, mandou libertar imediatamente Haack e foi conversar com o autor da foto. Partir desse momento estava selada a amizade entre “o velho Haack”- como era carinhosamente chamado pelo amigos -  e Getúlio Vargas. Passando ser o fotógrafo “oficial” do presidente enquanto Vargas passava o verão aqui em Petrópolis.
 Rodolpho Haack muitas vezes foi visto ao lado de Getúlio, enquanto esse fazia caminhada pelas ruas do centro da cidade, Getúlio chegava até pedir conselhos a seu fiel fotógrafo sobre decisões a ser tomadas em relação a Nação.
 

LENDA PETROPOLITANA: O FANTASMA DE KOELER

José Kopke Froés

Jean Baptiste Binot, cidadão francês contemporâneo de Koeler no alvorecer de Petrópolis, montou primitivamente um chácara no Quarteirão Nassau e mais tarde, no Retiro, outra maior que ainda existe lá. Aqui criou completo viveiro de plantações adaptáveis ao nosso clima das quais fazia larga exportação. A ele, deve Petrópolis, em grandes parte o renome de “Cidade das flores”.
Tão grande era o valor de Binot, que foi agraciado com uma comenda pelo Imperador e o Viconde de Taunay incluiu seu nome na obra “Estrangeiros ilustres e prestimosos.”, considerando-o notável horticultor.
Culto e perspicaz foi, talvez, o morador de Petrópolis que primeiro sentiu ou melhor avaliou a irreparável perda que constituiu para o progresso da cidade o desgraçado acidente ocorrido com Koeler no aziago, 21 de novembro de 1847.
Passados onze anos, ainda chorava Binot a morte de seu amigo Koeler, ao qual assim se referia no jornal “Parahyba” de 23 de dezembro de 1858:
“Tomou-o a morte no começo de todos os grandes trabalhos que foram esboçados por ele, mas que ficaram suspensos ou paralisados durante muitos anos. Depois de sua morte o progresso da colônia começou a diminuir em razão da má direção que tomou sua administração.
Um forte impulso fora-lhe, porém, dado, e, semelhante a uma locomotiva lançada a todo a vapor derrubando tudo o quanto encontrava em sua passagem, diminuindo a carreira progressivamente, até que mão inteligente apareça para entreter-lhe a renovar-lhe o impulso que recebera.”
E prosseguindo conta-nos o seguinte interessantíssimo episódio:
“O Major Júlio Koeler, posto que riscado da lista dos vivos, não abandonou ainda sua querida Petrópolis.
Perguntai por ele aos colonos do Bingen e eles vos dirão que o fantasma do major Koeler aparece de tempos em tempos no seu quarteirão.
Esses bons alemães, tão crédulos e supersticiosos, asseguram tê-lo visto muitas vezes ao cair da noite. Porque não?
Em 1857, por uma bela noite de julho, passeava eu pela Rua D. Afonso, entre a meia noite e uma hora da manhã, e chegando ao pé da casa do Barão do Pilar, pareceu-me ver como que um fantasma apoiado na grade. Lembrei-me do major Koeler e ouvi a seguinte lamentação:
-Oh! Petrópolis, que querem fazer de ti que deixam em tão completo abandono? Esta rua D. Afonso que eu tinha destinado para a residência da aristocracia traçando o plano das casas e alimento, não teve a sorte que lhe destinei.
E as ruas de Joinville, Maria II e da Imperatriz que destinei para morada dos fidalgos e empregados da Casa Imperial, a quem dei os melhores lugares para construírem suas habitações em torno do Palácio, não tiveram melhor sorte do que esta D. Afonso, porque todos negociaram com os favores que concedi e deram-se pressa em vender seus terrenos. Foram eles que concorreram para abatimento de Petrópolis, ao invés de procurarem engrandecê-la!
Oh! Brasileiros, havereis de reconhecer mais tarde o erro em que caístes e comprar muito mais caro, o que vendestes barato, porque Petrópolis há de ser um para vós outros um refugio a que tereis de abrigar-vos para fugir das epidemias do Rio.
Nisto, desapareceu o fantasma  e eu achei em seu lugar um manuscrito em francês, predizendo o futuro de Petrópolis que se realizará de 1856 a 1860.
Algumas pessoas que, como eu não desesperaram nunca do futuro glorioso da Petrópolis, saberão com prazer que este belo lugar está destinado a ser o mais formoso ornamento da coroa imperial.”


domingo, 21 de abril de 2013

LENDA PETROPOLITANA: O ESPECTRO DO IMPERADOR


A bela manhã de maio convidava o petropolitano ao ar livre.
As lindas e silenciosas avenidas do Quarteirão imperial estavam inundadas pelo sol morno e gostoso que abrandava a friúra do ventinho de inversa que já se aproximava.
Os pardais cantando, cruzavam as ruas alegremente, enquanto que os sabiás, à cata de sementes preferida, chilreavam com energia nas magnólias.
De tão belo o dia, dizia-se pairar no ar, tocada em surdia, estranha e suave melodia. Um hino a natureza, provavelmente!...
Chegamos, porém à velha Bacia, ponto de reunião de crianças e velhos nas manhã de inverno.
A meninada brinca, animadamente sob os olhares atentos das babás, enquanto que os mais velhos, sentados nos bancos mais batidos pelo sol, leem os jornais, conversam e tiram, às vezes, até seus cochilos...
Como sempre, lá estavam naquela manhã, sentados no banco predileto, o tabelião aposentado e historiador João Duarte da Silveira e postalista, também aposentado e cronista Antero Palma.
Os jornais foram lidos do principio ao fim; os assuntos do dia foram analisados e discutidos com toda a minúcia; e o passado foi recordado com a costumeira nostalgia...
 A manhã, porém, já se ia alto. As crianças se haviam retirado, o sol abrasava e a hora do almoço estava próxima.
Um diacho de preguiça tomava conta dos dois amigos que, alheios a tudo permaneciam quietos no banco.
Mas eis que, em dado momento, Antero Palma, olhando para a estátua do Imperador, vê coisa muito estranha. Pedro II baixava a mão esquerda que, havia tanto tempo amparava a face; descruzava as pernas e, levantando-se da cadeira, pulava agilmente para o chão. Voltando-se para o Palácio Imperial, para ele logo se dirige através da ponte da Bacia.
Vencida a emoção, Antero Palma, por sua vez levanta-se do banco e segue o velhos Imperador. Nem se lembra do companheiro Silveira.
Com o passo firme e respondendo cortesmente aos cumprimentos dos transeuntes, Pedro II atravessa a praça, toma a Avenida 7 de Setembro e chega, rapidamente, ao grande portão do Parque Imperial.
Dois fidalgos, muitos conhecidos, aguardavam o imperador visitante: os condes de Aljezur e de Paranaguá. Feitos os cumprimentos seguem os três rumo ao palácio.
Na rampa de acesso à porta principal, formam alas os funcionários do Museu Imperial, tendo à frente, todo sorridente, o diretor Alcindo Sodré.
Sua Majestade, muito afável, a todos cumprimenta e atinge o saguão, cuja a entrada é convidado a calçar as pantufas.
Pedro II exita. Chinelos para ele, o Imperador???
Posto a par, porém, da exigência regulamentar da casa, obedecida até pelos presidentes da República, o velho monarca sorri com humildade calça as tais pantufas.
Atento, minucioso, Sua Majestade percorre, peça por peça, todo o palácio, pedindo informações sobre tudo de estranho que encontrava. Amiúde, interrompia a resposta de seus cicerones às perguntas que formulava, com sua frase habitual: - Já sei, já sei!
Foi na sala do trono, no entanto, o local em que mais se demorou. Ali, ante o trono dourado, não pôde conter a emoção e as lágrimas correram a face.
Quantas e quantas vezes, outrora, trajando as vestes imperiais, tendo à mão o cetro de ouro, e à cabeça a coroa imperial cintilante de pedras preciosas, se sentara ali naquela mesma cadeira para receber as reverencias de seus súditos!... e como eram, então, numerosas  e exuberantes as demonstrações de amizade, respeito e fidelidade que recebia!
Via-se, depois, já destronado, semi abandonado, no modesto hotel de Paris, enquanto que muitos daqueles que mais constantes nas mesuras e nos salamaleques aderiam, sem cerimônia, à república, e passavam a bajular, com igual veemência, aos novos senhores.
De pé, ereto no meio do salão, e voltado para o trono, D. Pedro II, naquele momento revelava nos seus belos olhos azuis a amargura que um dia, devia ter lhe invadido a alma.
E, à lembrança de muitos presentes, vinham, então, as palavras sentidas do monarca no exílio:

“Mas a dor que excrucia que maltrata
A dor cruel que o animo deplora,
Que fere o coração e pronto mata,
É ver na mão cuspir à extrema hora
A mesma boca aduladora e ingrata.
Que tantos beijos nela deu outrora.”

Repentinamente, sem que ninguém esperasse, o Imperador se retirou da sala, saiu do Palácio e desapareceu em meio ao arvoredo do jardim.
 Antero Palma, no entanto, levantara-se do banco, estremunhado, saindo do pesadelo. Dando com a estátua do imperador bem à frente, acalmou-se e tratou logo de despertar o amigo que estava  tirando um cochilo ao seu lado no banco. Era muito mais de meio-dia e as famílias já deviam estrar preocupadas...
 E lá se foram dos dois rumos as suas casas, pondo fim a mais uma reunião matinal naquela bacia de tão gratas recordações, para ambos.
Mas não foi só o saudoso Antero Palma, que se referiu ao aparecimento do espectro do Imperador em nossa cidade.
 Já em 1904, outro cronista petropolitano, Gregório de Almeida, nos contava a seguinte história:
“Correu o boato, não sabemos com que fundamento de que o vulto do senhor D. Pedro II aparece, de tempos em tempos, nas alamedas do parque imperial. Há mesmo quem afiance ter visto o espectro calmo, grave, meditabundo, caminhas lentamente, sem que uma só folhinha seca, esmagada pelos pés do fantasma, fizesse o mínimo ruído. Vagarosamente, todo de branco, com a cabeça pendida para o peito, como que em profunda meditação, caminhava; Seus cabelos brancos crescidos caem-lhe pelos ombros; sua barba, também longa e branca, orna-lhe  o peito; na figura cheia de nobreza, tem ainda alguma coisa de majestoso da sua raça e reis e imperadores; da raça arqueducal de sua mãe, da raça de Maria Antonieta.”


LENDA PETROPOLITANA: A FIGUEIRA DE TIRADENTES


Quando em março de 1789, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, em plena campanha da Independência do Brasil, se dirigia na sua viagem de Minas Gerais ao Rio de Janeiro, possivelmente teria passado pelas terras que no futuro passariam constituir o município de Petrópolis.
De fato, o itinerário dessa viagem ficou assinalado no auto da Devassa da chamada Inconfidência Mineira. Dois pontos de parada, onde Tiradentes teria pregado abertamente seus ideiais foram, o sitio da Varginha, em Queluz de Minas e o sitio de Cebolas, em Paraíba do Sul, na então província do Rio de Janeiro.
O rumo de quem parava em Cebolas com destino ao Rio de Janeiro, normalmente era passar pelos arraiais da Estrela e do Pilar, através do Caminho dos Mineiros.
 É quase certo, que Tiradentes naquela ocasião tenha realmente passado na fazenda da Posse ou dos Corrêas, que era cortada pelo Caminho dos Mineiros.
Como se sabe dias após a chegada de Tiradentes ao Rio de Janeiro, ele foi preso e dias mais tarde em 21 de Abril de 1792, foi enforcado em praça pública e seu corpo foi esquartejado e distribuído pelos caminhos nos quais Tiradentes passou difundindo suas idéias de independência. 
E por força dessa ação condenatória que um braço do alferes veio parar em Cebolas, passando pelas futuras terras de Petrópolis.
O que não tem nexo é a história de que Tiradentes passou por Corrêas quando vinha preso de Vila Rica e direção ao Rio de Janeiro e que nesta ocasião tenha ficado na Fazenda.
 E isto é um erro pois Tiradentes foi preso quando chegou ao Rio e lá mesmo foi julgado e condenado.
Mas a lenda da figueira de Tiradentes apesar dos fatos se formou e sobrevive.
O bairro de Corrêas, foi formado pelas terras dadas de sesmaria pro Gomes Freire  de Andrade, a Manoel Antunes Goulão, em 12 de novembro 1760.
A pequena região, o sesmeiro deu o nome de Posse, nome que mais tarde no fim do século XVIII caiu em desuso quando mudaram-se os donos. Passando essas terras a serem conhecidas como fazendo de Manoel Corrêa, depois Fazendo do Padre Corrêa e finalmente povoado de Corrêas.
Desde tempos imemoriais, o que mais despertava atenção na fazendo dos Corrêas era uma gameleira plantada bem na frente da casa grande. A enorme árvore, já nos primeiros dez anos do século XIX, era mencionada por viajante e escritores que passavam por lá, como: John Mawe em 1809 e o brigadeiro Cunha Matos em 1823.
 Diziam que ao sol do meio dia a sua sombra era capaz de cobrir 400 pessoas ou todo um batalhão, e que um dos seus galhos abertos de tão grande que era se estendia a grande distância, chegando até a capelinha da fazenda.
Pois essa é a Figueira de Tiradentes, o motivo da lenda. Humberto de Campos em 26 de abril de 1930 publicou no “O Cruzeiro” um artigo a tal árvore sobre o titulo: “As árvores tem almas”. Vejamos a integra o artigo.
“No vilarejo de Corrêas adiante de Petrópolis, próximo ao casarão que abrigou, pouco depois da Independência, a majestade itinerante D. Pedro I, há com seus magros braços levantados para o céu, uma bela figueira cuja sombra teria agasalhado segundo rezam as lendas o alferes Joaquim José da Silva Xavier, idealista que pagou com a vida, o sonho de emancipação nacional. Segundo se infere da tradição oral, vinha o alferes manietado das prisões de Vila Rica, sob a guarda de soldados impiedosos com destino ao Rio de Janeiro, para responder aqui pelo crime de conspiração contra a metrópole. Viajava a pé, com aquela cabeleira e aquela mesma camisola branca fixadas pelas pinturas e pelas estátuas patrióticas, ferindo os pés heróicos pelos ásperos caminhos de terra. Ao anoitecer, a escolta fazia alto. E ao mártir, cansado, coberto de barba e suor, de sangue e poeira, era facultado como único pouso, permanecer amarrado ao tronco da árvore sob cuja fronde a comitiva militar aquartelava. Um dos pontos de parada teria sido nas terras pertencentes ou que viriam a pertencer ao Padre Corrêa, junto à figueira que lá se levanta a centena de metros da estrada União e Indústria.”
E continua Humberto de Campos: “A História que é menos irmã do que o sogra da Poesia, contesta gravemente essa possibilidade. Tiradentes não foi preso em Minas Gerais, mas no Rio de Janeiro. A Lenda foi destruída...”
Mas não foi destruída, não.
Antonio Machado, em 1941, contava que certa vez, escutou de um cavalheiro, conversando com uma senhora num dos caramanchões do Hotel D. Pedro, que pertencia ao próprio Antônio Machado e que funcionara na antiga fazenda do padre Corrêa, o seguinte: “- Imagine-se a selvageria daqueles tempos! Enquanto D. Pedro I, aqui nesta casa, banqueteava-se com a Marquesa de Santos, o pobre Tiradentes amargava uma noite tempestuosa, acorrentado àquela figueira, maltratado pela tropa sem piedade!...”
D. Pedro I não era nascido no tempo de Tiradentes!!!
Segundo Antonio Machado, um estrangeiro ilustre, que morava a anos em Corrêas, costumava contar que foi na figueira que os soldados arrancaram um braço do alferes. Provavelmente ele, deve ter escutado contar sobre o episódio que o braço de Tiradentes ficou exposto em Cebolas, aumentando assim a sua história.
Até alguns anos do inicio do século passado alguns moradores mais antigos de Corrêas, acreditavam que o espírito de Tiradentes com sua camisola de condenado aparecia pelas redondezas quando batida as dozes baladas da meia noite, arrastando pelo chão a corda presa ao pescoço e ia se abrigar debaixo da tal figueira...
Os moradores de Corrêas tinha por um certo respeito por essa lenda e não era qualquer um que se aventurava a passar pela figueira a noite.
Se é falsa a narrativa do jeito que é contada, isso não significa que tenha no fundo algo senso de verdade. Pois já vimos que Tiradentes talvez tenha pela imediações quando era livre rumo ao Rio de Janeiro.
Pela estrada que margeia o rio Piabanha, teria passado os soldados que escoltavam os conspiradores de Ouro Preto, envolvidos na Devassa, logo depois da prisão de Tiradentes no Rio de Janeiro. No tronco da figueira talvez tenham ficado amarrados os companheiros de Tiradentes.
Sob a figueira teriam passado os soldados que os restos mortais de Tiradentes em viagem para Minas Gerais, carregados em lombo de burro e divididos em pedaços que iam sendo colocados pela estrada nos locais aonde era forte a influencia do alferes.
O tempo se encarregou d de acrescentar outros aspectos até modificações que deram a lenda outra fisionomia. E assim veio a lenda que Tiradentes esteve amarrado no tronco da figueira...
Outra interessante história da figueira, não está relacionada com Tiradentes, mas sim com um macaco, que quis assistir a missa.
Tão grande e bonita era árvore, que como disse acima um dos seus galhos chegavam até a capelinha da fazenda.
Num domingo quando os féis saiam da capela após a missa, foram surpreendidos por um macaco fazendo um reboliço dependurado em uns dos galhos que chegava até a capela, que olha atentamente para dentro da igreja.
Se grande foi o susto dos devotos, maior foi do macaco que saio pulando de galho em galho até mata ao encontro de seus companheiros... Um simples episódio natural, que serviu para criaram mais uma lenda em relação a figueira, de que os macacos de Corrêas gostavam de assistir as missas na capela da fazenda.
Em 1954 por determinação da Prefeitura Municipal de Petrópolis, a lendária figueira foi posta abaixo, tendo assim em vão porem fim as lendas da árvore bicentenária, que talvez, quem sabe tenha abrigado Tiradentes, o mártir da independência, em sua enorme sombra, ou que serviu de arquibancada para os “macacos de Corrêas” assistirem as missas dominicais na capela da fazenda.



quinta-feira, 18 de abril de 2013

CONSELHEIRO PAULO BARBOSA DA SILVA


Nasceu em Sabará, Minas Gerais, a 25 de janeiro de 1794, quinto filho o coronel de milícias Antônio Barbosa da Silva e Ana Maria de Jesus, filha de Antônio Ribeiro Pinto.
Teve uma mocidade toda dedicada ao exercito: assentou praça de cadete com 14 anos; foi cadete efetivo em 1808 e promovido a alferes em 1810. Em 1818 matriculou-se na Academia Militar, sendo promovido a tenente no ano seguinte.
Na campanha do Fico, coube-lhe o papel de emissário dos patriotas a Minas Gerais, onde desempenhou uma missão bem sucedida. Foi promovido para o Imperial Corpo de Engenheiros.
Em 1825 foi para Europa estudar. Em 1829 volta para o Brasil como “personagem da grande intriga que foi o segundo casamento do primeiro imperador. O 7 de abril já o encontra afastado do Paço de Diplomacia”.
Com a queda do tutor José Bonifácio é nomeado mordomo da Casa Imperial, cargo que é confirmado por D. Pedro II, logo em 1840 e no qual iria prestar os mais honrosos serviços. Promovido a major em 1837 e a tenente-coronel em 1839, é eleito nesse ano deputado por Minas.
Sua casa, na Chácara da Joana (o Clube Joana, como era chamado) foi o centro político e social do inicio do reinado. Entre os grandes serviços de Paulo Barbosa figura, em primeiro lugar, a fundação de Petrópolis em 16 de março de 1843.
Nesse ano é promovido a coronel e no seguinte é reformado como brigadeiro. “Estava em plana atividade administrativa quando teve participação oficial de que se tramava contra sua vida. Um inquérito policial revelou uma trama bem tecida contra sua pessoa”. D. Pedro II então o designa para o Corpo Diplomático onde já tinha servido para provar seu apreço por ele o imperador nomeia José Maria Velho da Silva a gentil-homem, conservando o titulo de mordomo Paulo Barbosa é nomeado Cônsul na Rússia onde ficou com a esposa por um ano. Em 1847 foi transferido para Berlim e dois anos depois, para Viena. Caindo gravemente doente  e vai para Paris, onde recebe a demissão da função diplomática em 1851. Ai guarda a oportunidade de voltar para o Brasil. D. Pedro II o chama novamente em 1854, para reassumir as funções de mordomo da Casa Imperial.
A segunda fase da mordomia de Paulo Barbosa na Casa Imperial foi puramente administrativa , prestando serviços ao imperador e ao Brasil, um dos quais lhe devem, a cidade Petrópolis. Faleceu em 28 de janeiro de 1868. Foi casado com Maria Paula dos Reis Alpoim, não deixando herdeiros.
De todas as suas condecorações nacionais, cavaleiros de Cristo e Avis e oficial da Rosa, e estrangeiras, Grão Cruz de Sant’Ana, da Rússia; de S. Mauricio e S. Lázaro, da Sardenha; comendador de Nossa Senhora da Conceição de Villa Viçosa, de Portugal; Ernestina , de Saxe; S. Januário, de Nápoles; Coroa de Ferro, da Áustria; Legião de Honra, da França; e Medjidié, da Turquia, e dos vários encargos que recebeu nenhum título mais o orgulhava que aquele dado pelo próprio D. Pedro II, chamando Petrópolis – “a sua filha”, em carta a ele endereçada.



Fonte:
LACOMBE, Américo Jacobina. Trabalhos da Comissão do Centenário, Vol. VII.

terça-feira, 16 de abril de 2013

A FAZENDA DO PADRE CORREIA E A COMPRA DA FAZENDA DO CÓRREGO SECO


Da sesmaria de Manuel Antunes Goulão, originou-se a Fazenda do Padre Correia, sendo a mais importante comunidade agricultura e manufatureira do vale do rio Piabanha.
Devido a sua localização a beira do Caminho Novo, oferecia hospedagem e alimentação aos tropeiros que transitavam pela via.
A sede da Fazenda encontra-se na confluência dos rios Morto e Piabanha, tempos mais tarde deu origem ao bairro de Correias.
Antonio Tomás de Aquino Correia da Silva, mais conhecido como Padre Correia, era nascida na Fazenda do Rio da Cidade, conforme sua certidão de batismo:


"Aos 15 dias do mês de Abril de 1759, na Capela de Nossa Senhora do Amor de Deus, no Rio da Cidade, filial desta freguesia de Nossa Senhora da Piedade do Inhomirim, batizou e pôs os santos óleos de licença o reverendo padre Manuel Gonçalves Ramos a ANTONIO, filho legítimo de Manuel Correia da Silva e de sua mulher Brites Maria de Assunção Goulão, neto paterno de Antonio Correia e de Maria Marques da Silva e materno de Manuel Antunes Goulão e de Caetana de Assunção. Foram padrinhos Antonio Rodrigues Sá e Ana Maria, mulher do dito, todos fregueses desta freguesia.
Antônio Francisco Bittencourt, vigário."


Antonio Correia, dedicou-se ao estudos das ciências humanas e teologia, tendo seguido carreira eclesiástica, sendo ordenado sacerdote em 1783. Começou a ministrar os sacramentos na região do vale do Piabanha, batizando, celebrando missas e casamentos na Capela do Rio da Cidade e na Capela da fazenda de sua família dedicada a Nossa Senhora do Amor de Deus.
Os ancestrais do Padre Correia, os Goulão Correia, foram os portugueses pioneiros que colonizaram o “Sertão do Índios Coroados”, no vale do Piabanha,
Seu pai Manuel Correia da Silva, era proprietário da sesmaria do Rio da Paciência onde hoje se localiza o Bairro Carangola, Vale do Caetitu e Bonsucesso.
Sua mãe Brites Maria de Assunção, era filha única de Manuel Antunes Goulão, dono da sesmaria do Rio da Cidade, onde construiu a Capela de Nossa Senhora do Amor de Deus e anos mais tarde adquiriu a quadra do Rio Morto, criando ali um sitio, hoje Correias. Com a morte e Goulão, seus bens passaram como herança para sua filha Brites. Assim Manuel Correia da Silva, passou a ser o maior proprietário de terra de “Serra Acima”, indo do rio da Paciência, hoje Carangola, ao sitio da Ponte, atual Bonsucesso.
Manuel Correia construiu sua mansão no sitio da Posse, orando-a com cristais, moveis de madeira de lei e uma riquíssima biblioteca, a qual influenciou em muita na escolha da carreira eclesiástica e o estudo pelas ciências humanas do padre Correia. Ao lado da casa-grande, foi construída a Capela de Nossa Senhora do Amor de Deus. Aonde se encontrava a imagem da Virgem Maria, esculpida em madeira e pintada cm detalhes em ouro segurando no peito uma pomba, simbolizando o Espírito Santo, trazida de Portugal é considerada a mais antiga imagem sacra de Petrópolis, sendo a padroeira da Diocese de Petrópolis.
Por ser o mais velhos dos 6 filhos de Manuel e Brites, o sitio da Posse, ficou sobre administração do padre a partir de 1804, passando a ser conhecido como “Fazenda do Padre Correia”, considerada a fazenda mais próspera do Caminho Novo.
Na fazenda havia plantação de frutas de clima europeu, principal produto de comércio da propriedade com a Corte no Rio de Janeiro, e também possuía fabricação artesanal de ferraduras. Padre Correia ficou 20 anos a frente dos trabalhos da fazenda contribuindo em muito para o desenvolvimento agrícola do atual Estado do Rio de Janeiro.
A 19 de junho de 1824, faleceu de morte natural aos 65 anos o Padre Correia, deixando de herança a fazenda para sua irmã Dona Arcângela Joaquina.
Em 1829, D. Pedro I, admirador do clima da serra propôs a compra da Fazenda a D. Arcângela, com intuito de ali edificar um palácio de veraneio para fugir da agitação urbana e o calor do Rio de Janeiro, a fim de passar dias aconchegantes com a família na região. Porém a proprietária alegando motivos sentimentais e familiares não aceitou a proposta, mas indicou ao Imperador uma fazenda próxima do Sargento-Mor José Vieira Afonso, a do Córrego Seco que se encontrava a venda. Sendo assim, na volta a caminho da Corte, Pedro I, parou na Fazenda do Córrego Seco e fez a compra da propriedade pela quantia de 20 contos réis.

Fonte:
RABAÇO, Henrique José. História de Petrópolis, IHP. 1985.