terça-feira, 28 de maio de 2013

A VARIANTE DO CAMINHO NOVO DE BERNARDO SOARES DE PROENÇA

 Os preparativos para a abertura de um atalho no Caminho Novo com objetivo de amenizar o trajeto penoso da Serra do Couto e diminuir, assim o tempo de percurso do Rio de Janeiro à Minas Gerais, foram iniciados com a chegada ao Brasil do novo Governador e Capitão-General Ayres de Saldanha.
 De início foi pedido a Garcia Rodrigues Paes, para que se encarrega-se da obra, porém o mesmo não aceitou tal empreitada, alegando estar muito velho e doente e com falta de recursos financeiros.
 Nesse meio tempo, surgiu a preocupação no Velho Garcia Paes em relação as suas terras no Caminho Novo, entre os rios Paraíba e Paraibuna, dadas a ele em recompensa pela execução do Caminho Novo.
 Ele não tinha a pretensão em ter novas terras, mas sim proteger a sua posse definitiva. Garcia Paes acreditava-se que com as melhoras no caminho suas terras ficariam vulneráveis a cobiça de terceiros, devido ao aumento de trefego de cargas de alto valor, que esse atalho iria proporcionar. Porém três anos mais tarde a posse de suas terras foi devida devidamente assegurada.
 A ideia de ligar o Caminho Novo com a Baía de Guanabara, por meio do rio Inhomirim era bem antiga já de 1698. E voltando a ser colocado em pauta em 1703, acreditando que o desenvolvimento mais prático seria através da margem do rio Piabanha.
 Na carta de Sesmaria expedida em 11 de Junho de 1721, Ayres de Saldanha, o governador concede uma quadra-Padrão ao sargento-mor Bernardo Soares Proença e outra ao também sargento-mor Luiz Peixoto da Silva, que deveriam ser “locadas seqüencialmente por atrás da Serra do Frade e da Serra da Taucaya Grande, depois das terras da Sesmaria de Francisco de Mattos Filgueiras e João de Mattos de Souza.”
 A concessão dessas duas Quadras, sem dúvida alguma foram as duas primeiras da região da Baía do Piabanha, sendo o passo inicial para a ocupação das “terras serra-acima de Inhomirim”.
 Bernardo Soares de Proença, aproveitando as trilhas feitas pelos índios e as precárias veredas que ligavam a Freguesia de Inhomirim à Sesmaria dos Mattos, realizou a abertura de um caminho até as suas terras, estendendo até a propriedade de Luiz Peixoto da Silva, sendo assim considerado o embrião da Variante do Caminho Novo.
 Segundo as “Ordenações Filipinas”, os Caminhos Gerais, deveriam ser abertos e cuidados pelos sesmeiros ao longo do caminho, mesmo sendo do interesse do Governo-Geral.
 Como Garcia Rodrigues Paes recusou-se a tal empreitada, a abertura da Variante ficou a cargo do Sargento-Mor Bernardo Soares de Proença que se apresentou como candidato.
 A sesmaria confiada a Proença é datada de 11 de Junho de 1721, a partir “do alto da serra do mar até o ponto de confluência do rio Itamaraty e o rio Piabanha”, sua sesmaria ficou conhecida como Sesmaria do Tamaraty.
 A sesmaria de Luiz Peixoto da Silva também é datada de 11 de Junho de 1721, ficava logo depois da de Bernardo Proença, dividida pelo Caminho Geral entre os rios da Cidade e Araras.
 Essas duas sesmarias foram confirmadas pelo Rei de Portugal, em 12 de Julho de 1723 e 30 de Julho de 1726.
 Para dar inicio as obras, Proença foi acompanhado por mateiros, índios civilizados e escravos, as roças de Garcia Paes, pois ficou estabelecido que a Variante seria aberta a partir de Paraíba, atual Paraíba do Sul. O inicio do Atalho, ficava meia légua de onde ocorria o cruzamento do Rio Paraíba, que tempo depois passaria ser chamado de “Encruzilhada”, de onde era possível avistar a Pedra da Maria Comprida.
 Com auxilio de uma bússola, designaram o rumo SSE (Sur-sudeste) para a picada-base no alinhamento – Encruzilhada, Pedra da Maria Comprida, Rio da Cidade e Marco do Tamaraty.
 Logo no inicio das obras foi necessário fazer um desvio para a esquerda, afim de evitar as serras do Cavairú e das Onças, para se ter um acesso mais livre ao Vale do Rio Grande, hoje Sardoal e Fagundes, com o desvio pronto e uma curva acentuada para o Sul, as obras seguiram na busca de uma reaproximação do eixo – SSE, 157.5°, para o cruzamento do Rio Grande, aonde o rio fazia uma curva para Oeste, perto da Fazenda do Secretário.
 Passando para a margem direita, a empreitada seguiu pelas vertentes do Córrego da Maria Comprida até a sua nascente em Araras, na base da Pedra da Maria Comprida.
 Transpondo esse trajeto de 1.200 metros, a picada foi direcionada para perto da confluência dos rios da Cidade e Araras, próximo a picada de acesso a Fazenda do Rio da Cidade.
 Essa fase de abertura da picada-base do Atalho durou cerca de quatro meses. Para transformar a picada em caminho, Proença obteve ajuda de alguns moradores de Inhomirim, que já tinham sido procurados antes do inicio dos trabalhos, para os quais foram dadas seis sesmarias no trajeto da Variante entre Paraíba e o rio da Cidade.
 O fim das obras ocorreu em Outubro de 1724, sabendo-se que alguns arremates ainda seriam feitos ao longo da Variante, até 1725.

 Sendo assim a Variante do Caminho Novo, passou a cortar de Norte a Sul a Bacia do rio Piabanha, região que partir de então haveria um desenvolvimento territorial, graças ao fluxo de cargas e pessoas que fariam o trajeto Minas – Rio de Janeiro, dando origem assim a futura Petrópolis.





Bibliografia:

FROÉS, Carlos Oliveira. Petrópolis - A Saga de Um Caminho - I.H.P., 2005
VASCONCELLOS, Francisco de. Petrópolis, do embrião ao aborto. Volume 2. ParkGráfica Editora, 2008
ABAD, Vera. Petrópolis, Cidade Imperial. Prazedeler Editora, 2009




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