terça-feira, 29 de outubro de 2013

O ÚLTIMO DIA DE MAIO NO TEMPO DO IMPÉRIO

José Kopke Froés

Em Petrópolis no tempo do Império, 31 de Maio foi sempre um dia festivo: realizava-se com grande pompa, na antiga Igreja Matriz; o encerramento das solenidades religiosas que durante todo o mês era celebradas em adoração à Santíssima Virgem Maria, com o comparecimento quase diário da Família Imperial, e sobretudo da Princesa Isabel, que não faltava nunca.
 Nem mesmo no dia 13 de Maio de 1888, quando Princesa Regente, deixou Sua Alteza de fazer suas orações durante a ladainha da Matriz petropolitana, embora tivesse chagado da Corte pouco antes, onde promulgara a Lei de libertação dos escravos. Ao terminar a cerimônia religiosa, naquele mesmo 13 de Maio, repetiram-se as vibrantes manifestações populares de que tinha sido alvo por ocasião da sua chegada à estação de Petrópolis.
 A pesar do frio intenso, muito mais rigoroso que o de hoje, os Imperadores deixavam-se ficar em  nossa cidade durante quase todo mês de Maio, mesmo nos últimos de governo, quando em idade avançada, unicamente para prestigiar sua querida filha na organização das referidas solenidades religiosas, até o ultimo dia, no qual era realizada, a coroação de Nossa Senhora.
 Nos dois ou três primeiros dias de Junho, os Imperadores regressavam à Capital do Império, e suas ausências aqui, se bem que certas, eram muito sentidas pela população. Todos os anos, dom Pedro II, não partia sem visitar a Escola do Amparo, o Hospital Santa Tereza, diversas escolas públicas e colégios particulares, onde deixava palavras de conforto e de estimulo, distribuindo também valiosos donativos.
 Muito antes de anoitecer, os jardins das praças públicas próximas à Igreja Matriz estavam repletas de pessoas de todas as classes sociais, aguardando a abertura do templo para conseguir bons lugares, de onde pudessem assistir a empolgante solenidade do encerramento do mês de Maria. Eram moradores dos bairros mais distantes, de todos os extremos da cidade, operários, colonos alemães e seus descendentes, quase todos católicos fervorosos, que faziam a pé longas caminhadas para prestigiar a religião e a Princesa Isabel.
 As mais distintas damas da Côrte, na execução de belas ladainhas, tomando a si o encargo da ornamentação da Igreja, em cujo altar, ricamente enfeitado com camélias brancas, a imagem da Virgem Maria aguardava a colocação, em sua cabeça, da coroa levada por lindos anjos, representados por meninas das famílias ilustres.
 O povo enchia completamente todas as dependências da pequena Matriz. Na maior parte das vezes os homens ficavam do lado de fora, cedendo num gesto de cavalheirismo, os lugares do interior às senhoras e crianças. A cerimônia, bastante longa, era assistida com todo interesse, respeito e devoção até o final, quando o povo abria alas à passagem de SS.MM. Imperiais, num tom de despedida, porque, como acima dissemos, dias depois partiam para o Rio de Janeiro.
 Valiosos presentes recebia no mês de Maio a nossa principal Igreja: eram ricos e belos tapetes, custosas peças de renda e bordados, imagens e muitos outros. Os melhores pregadores da época, pertencentes ao clero, vinham a Petrópolis prestar o seu concurso na propagação da fé católica.



Texto publicado na Tribuna de Petrópolis em 31 de Maio de 1944.


A Matriz Velha, inaugurada em 1848, vista dos jardins do Palácio Imperial (Museu Imperial), foto de 1860

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

RELAÇÃO DE HOTÉIS E PENSÕES EXISTENTES EM MARÇO DE 1928 NA CIDADE DE PETRÓPOLIS

Denominação
Proprietários
Localidade
Hotel D’Europa
Adolpho Barbosa
Av. 7 de Abril,
340
Majestic Hotel
Miguel Henrique Sixel
Praça Rui Barbosa
160
Palace Hotel
Sixel e Filhos
Av. Barão do Amazonas
124
Hotel-Pensão Central
Henrique Sixel e Cia
Rua Dr. Porciúncula
68
Nice-Hotel
Mario Gomes de Carvalho
Av. 15 de Novembro
766
Hotel Rio-Petrópolis
Veiga e Irmãos
Av. 15 de Novembro
282
Hotel Orleans
José Henrique da Fonseca
Rua Dr. Porciúncula
74/86
Hotel do Commercio
Manuel Cuntim e Irmãos
Rua Dr. Porciúncula
56
Hotel Max Meyer
Max Meyer
Rua Dr. Porciúncula
108
Modern Hotel
Ludovico Raffaeli
Av. 15 de Novembro
81
Hotel Bragança
Manuel Gomes de Carvalho
Rua Dr. Alencar Lima
12
Hotel Bahiano
Reise e Silva
Av. 15 de Novembro
454
Pensão Cosmopolita
Viúva Irma Détheuin
Av. 15 de Novembro
1075
Convento de Lourdes
A. das Damas Hospitaleiras
Av. 7 de Abril
655
Pensão Geoffroy
Bernardino da Rocha Prista
Av. Marechal Deodoro
143
Hotel Brasileiro
Antonio Garcez Sampaio
Rua Floriano Peixoto
39
Hotel Independência
Alcides Augusto Rist
Independência
s/n
Hotel Sete de Setembro
Rocha e Silva
Av. 7 de Setembro
77
Hotel Boa Vista
Campos e Aureliano
Rua 13 de Maio
292
Hotel D. Pedro
Antonio Machado
Corrêas
s/n
Hotel dos Viajantes
Silva e Cia.
Pedro do Rio
s/n
Hotel Pinto
José Duarte Pinto
S. José do Rio Preto
s/n
  

Fontes:
Requerimentos feitos a Prefeitura Municipal de Petrópolis, encontrados no Arquivo Histórico da Biblioteca Municipal Central Gabriela Mistral

sábado, 17 de agosto de 2013

DIA DE SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA EM 1845

Carta do Mordomo Paulo Barbosa ao Imperador D. Pedro II. 

 “Petrópolis começa a ser não um sonho, mas uma realidade,. Já aqui se festejou o dia 19 do corrente, com uma festa sui generis. Na véspera iluminada a casa em que Vossas Majestades Imperiais estiveram reuniu-se a Colônia, e um concerto em coros entoou um hino com letras Vossa Majestade Imperial, a Sua Majestade a Imperatriz e ao Senhor D. Afonso calcadas sobre a música do hino “Deus salve o Rei” dos Ingleses, tão bem executada, que nos toucou muito.
 Ao amanhecer foi salvado o dia com 21 roqueiras. Às 10 horas reuniu-se a Colônia de mais de 2.500 indivíduos vestidos o melhor que puderam e cobertos de flores e palmas campestres, e a porta do edifício lhes passaram revista o Presidente da Província e eu seguidos do Major Koeler, do Conselheiro Magalhães, do Padre Protestante, do Doutor e de muitos cidadãos empregados e de outros que acorreram.
 Passada a revista, fomos para a Praça da Confluência (que linda é) onde estava armado um altar com a imagem do Redentor revestido. O Padre pregou um sermã explicativos do Evangelho do dia, e depois exortou a Colônia ao amor, respeito e gratidão a Vossa Majestade Imperial, cujo dia era.
Não sei o que lhes disse, que tanto os tocou, pois viram-se correr de todos lagrimas e ternura (nós não fomos isentos desta sensação). Neste momento Aureliano deu vivas a Vossa Majestade Imperial. Nunca vi tanto entusiasmo!! Os homens, as mulheres, os meninos, todos perderam a cabeça de entusiasmo e gratidão.
Procedeu-se ao batismo de alguns meninos mais perigosos dos quais, eu e Aureliano fomos padrinhos, ficando os que estão em boa saúde, reservados para quando Vossa Majestade Imperial vier a sua Colônia, pois eles assim o querem.
Festões de flores, arcos de ramagens, cânticos respeitosos e religiosos era o que se via e ouvia.
Findo o ato religioso praticado com todo respeito e acatamento que envergonhava os católicos que estavam presentes desfilou perante nós, a Colônia e foram para as suas cabanas e casa, e nós os fomos visitar, não todos, porque a Colônia de Petrópolis, já não se pode visitar em quatro dias.
 Estou comendo hortaliças por eles cultivadas, em lugares até o presente desconhecidos digo até o dia de São Pedro, em que por um acaso, que não pode deixar de ser determinação celeste começou a Colônia Imperial de Petrópolis, 29 de Junho.”


Fonte: Tribuna de Petrópolis, 30 de Outubro de 1955

São Pedro de Alcantâra

terça-feira, 16 de julho de 2013

ESTADO DOS RESTOS MORTAIS DE D. PEDRO II E SUA FAMÍLIA, QUE SE ENCONTRAM EM PETRÓPOLIS.

Estados dos corpos do Imperador D. Pedro II, Imperatriz Teresa Cristina, Princesa Isabel e Conde D'eu

D. Pedro II - Ele está fardado, a barba apodreceu e soltou do queixo, mas o corpo está perfeito

D. Teresa Cristina - Morreu assim que chegou em Portugal, foi muito mal embalsamada, tanto que a faixa de imperatriz acabou entrando no corpo, está pele e osso.

Princesa Isabel - está inchada e bem enrugada.

Conde D'eu - está muito branco como se tivessem passado cal em todo o seu corpo.

Todos os corpos estão em urnas funerárias com um visor de cristal, e a estátuas de mármores colocadas em cima dos urnas são a representação de como eles estão vestidos.

Essas são observações do prof. Lorenço Luiz Lacombe, (que foram passadas ao meu tio Gilberto Henrique Pereira Jeronymo, que foi aluno dele) que esteve na exumação dos corpos no translado dos restos mortais da princesa Isabel e Conde D'eu.



Mausoléu Imperial, na Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis-RJ.

sábado, 13 de julho de 2013

A ENCHENTE DE 1895 EM PETRÓPOLIS

O problema de enchentes e desabamentos são bem antigos em Petrópolis. Em 1895, tivemos uma grande inundação na cidade que nos trouxe diversos prejuízos, que foi muito bem documentada pelo jornal da época “Gazeta de Petrópolis”, que encontramos hoje microfilmado no site da Biblioteca Nacional, na parte da hemeroteca.
Abaixo coloquei na integra e na linguagem da época todas as reportagens que saíram no jornal Gazeta de Petrópolis.

“A INUNDAÇÃO – Gazeta de Petrópolis, 5 de Janeiro de 1895, Sabbado
 Extraordinario temporal desabou no dia 1° do corrente sobre esta cidade e seus arredores, produzindo a maior inundação conhecida pelos mais velhos habitantes desta localidade.
 Um chuva pesada começou a cahir às 2 horas da tarde, prologando-se sem cessar até as 5 horas, quando medonha tromba d’água cahindo sobre as montanhas do Morin, e trazendo diante de si árvores colossaes e enorme massa de terra, inundou repentinamente a cidade inteira, elevando-se o nível das águas nas nossas largas avenidas a muitos metros de altura.
 As águas sahindo do leito do rio invadiram as avenidas lateraes, os jardins e as casa, e na sua fúria desordenada foram destruindo pontes, calçadas, árvores e tudo o mais que em seu caminho encontravam.
 Enormes foram os prejuízos materiaes occasionados não só a particulares como à Municipalidade. Pessoa competente informa-nos que calcula-se em mais de quinhentos contos o prejuízo nas obras municipaes. De particulares sabemos que foram muito prejudicados os estabelecimentos commerciais de Mme. Dreyfus, viúva Kallenback, Luiz Gonçalves, Domicio de Menezes, além de muitos outros, que são quase todos os negociantes da Avenida 15 de Novembro, srs A. Siqueira e dr. Rodrigues Peixoto também soffreram muito.
 Foram arrebatadas pelas águas as seguintes pontes:
 Uma em frente a serralheira Faulhaber que foi um dos estabelecimentos mais prejudicados.
 Uma em frente a casa de Mme. Cornelia.
 Uma em frente à casa do Barão da Penha.
 Uma em frente à chácara do sr. Janacopolis na rua Souza Franco.
 Uma em frente a cocheira nova da Companhia Tattersal, na avenida 15 de Novembro.
 Uma em frente ao hotel Bragança
 Uma na Westphália, em frente à casa do sr. Avelino.
 Uma na estrada da saudade.
 Uma no Itamaraty em frente ao Quissamã.
 Uma na Samambaia
 Uma na Itaypava em frente a olaria do sr. Guilherme Carlos.
 Uma na Itaypava em frente aos terrenos do dr. Barros Franco.
Ficaram danificadas:
 A ponte da Estrada de Ferro no Palatinado, junto a qual esbarrou uma árvore colossal.
 A ponte em frente a Secretaria do Interior, na Souza Franco.
 A ponte pequena em frente ao edifício em que funciona a Assembléia.
 A ponte em frente ao passeio público, na avenida 15 de Novembro.
 A ponte nova sobre o rio Itamaraty, em frente à Estação (aterros lateraes corridos)
 Desmoronaram as muralhas do rio, no Morin, em quase toda a extensão, no Palatinado em frente à casa do barão da Penha.
 Taludes da Avenida Silva Xavier, 7 de Setembro e as margens do rio da Westphália em toda a sua extensão ficaram consideravelmente damnificadas.
 O calçamento do Morin foi desfeito e arrebatado pelas águas, ficando abertos enormes buracos e fossos no antigo leito da estrada. A Estrada União e Indústria soffreu enormes prejuízos, estando intransitável o trecho entre o açude da fábrica da Cascatinha e a grande ponte.
 A Rua 14 de Julho (atual Washington Luis) foi muito damnificada pelas águas que transbordaram da repressa na fábrica de S. Pedro Alcântara.
 O calçamento de toda a cidade está descoberto, e em muitos pontos reduzido as primeiras camadas de pedras grossas, como no Palatinado.
 Desabararam muitas barreiras na avenida Piabanha, na Rua Costa Gama, na estrada da Presidência, no Bingen, na Rhenânia, Quarteirão Suisso, em summa, em todas as estradas suburbanas.
 O terreno da estação do Alto da Serra ficou revolvido como se tivesse havido um terremoto.
 O encanamento d’água potável foi muito danificado, os tubos de travessia nos rios foram quasi todos arrebatados pela correnteza; o encanamento geral que vem do Grotão para o reservatório soffreu também, tendo sido alguns tubos despedaçados por enormes blocos de pedras, que desceram das montanhas.
 A inundação deixou a cidade coberta de espessa camada de lama, todos os bueiros entupidos, as pontes, cercas e árvores engrinaldadas com os cardamonos e árvores que o rio trazia em grande quantidade, e por fim reconheceu-se que não havia água nas casas.
 As autoridades municipaes e a commisão de engenheiros do Banco Construtor providenciaram, desde as primeiras horas do dia seguinte ao da inundação, de modo que a reparação dos males causados começou a ser feita com toda a actividade, desembaraçando as pontes, restabelecendo-se os encanamentos d’água que faltavam.
 A Camara teve de mudar de casa por haverem desabado várias paredes do prédio que occupava.
 O presidente da Camara sr. Hermogêneo, que como se sabe reside na Cascatinha, não deixou a cidade durante dous dias, dirigindo pessoalmente o serviço de desobstrução dos rios e das ruas.
 O sr. Braga Mello foi incansável nas tarefa de prover a cidade d-água no dia seguinte ao do cataclysma, o que conseguiu.
 Infelizmente esta medonha enchente  occasionou uma morte , a de João Souza Brazil, empregado do sr. Albano Pereira, que desejando apanhar o mastro que havia cahido ao rio foi carregado pela correnteza.
 Até hora em que escrevemos ainda não se sabe aonde para o cadáver.
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É digno de louvor o procedimento dos srs. Tibério Augusto Ribeiro, José da Silva Leite e Claudino José Vieira, que com risco de suas vidas salvaram três crianças quasi vitimas da terrível enchente.
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O sr. José Antonio Martins da Rocha negociante estabelecido à avenida 7 de Abril muito coadjuvou os salvadores das infelizes crianças.
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 O dr. Chefe de polícia, acompanhado do seu oficial de gabinete, o dr. Delegado, escrição Santos, tenente Pinheiro e commisário Arthur Cruz, rondaram durante toda a noite do dia 1º as ruas desta cidade, impedindo assim que houvessem roubos, desatres, etc.”
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“O TEMPORAL – Gazeta de Petrópolis, 23 de Janeiro de 1895
 O temporal, que começou no dia 1°, por grande inundação nesta cidade, tem continuado até hoje, sem que se possa predizer quando terminará.
 O céo está quase constantemente carregado de grossas nuvens e o thermometro mantém-se, de dia e de noit, em 22 e 23 gráos centigrados.
 Novos estragos apparecem diariamente elevando o cálculo, primitivamente feito das despezas necessárias a sua reparação.
 É considerável o número e o volume das barreiras cahidas em todas as partes do município.
 As estradas, à margem de rios, tem sofrido immensos prejuízos; e em alguns pontos tem havido mesmo completa interrupção do transito pela desapparecimento do leito, nos Correias, por exemplo.
 A estrada de ferro Grão Pará, que pouco soffreu no dia 1º, tem tido de então por diante grandes estragos em sua linha, determinados segundo nos dizem, por barreiras cahidas e escorregamentos do leito.
 Está se tornando verdadeira calamidade o temporal.”
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 “TEMPORAL – Gazeta de Petrópolis, 26 de Janeiro de 1895
 Sabemos que o rio da Cidade inundou completamente o Valle, que o margêa destruindo inteiramente importante colheitas de batata ingleza, feijão, milho, etc
De toda a parte nos chegam noticias de estradas intransitáveis por atoleiros, barreiras, desppareciemnto total ou parcial do leito, quedas de estivas e pontilhões, etc.
 A própria Estrada União e Indústria, está convertida em grande lamaçal, tão considerável e o número de depressões do calçamento, cheias de barro, amollecido pela continua chuva.”
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“SUSPENSÃO DO TREM – Gazeta de Petrópolis – 30 de Janeiro de 1895
A Estrada de ferro Grão-Pará foi autorisada pelo governo a suspender por 20 dias o trem M3 e M4 entre S. José e Petrópolis para poder mais facilmente remover as barreiras cahidas entre as estações de Pedro do Rio.”
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“ESTRAGOS DA INUNDAÇÃO – Gaxeta de Petrópolis, 19 de Fevereiro de 1895
 Os consideráveis estragos occasionados nos três primeiros districtos deste município pela grande inundação do dia 1º, estragos cuja reparação não deve importar em quantia inferior a quinhentos contos de reis, crearam á municipalidade uma situação verdadeiramente critica desfazendo suas previsões orçamentárias para o corrente exercício.
 A despesa orçada para as obraças publicas e limpeza da cidade é apenas de 157:000$, quantia por si insufficiente para os gastos ordinários do anno.
 Onde haver os recursos indispensáveis aos trabalhos urgentes, que de toda a parte são reclamados com insistência?
 Tal é o problema que tem diante de sai a nova Camara.
 Há quem falle no saldo annunciado do anno de 1895, sem saber naturalmente que essa quantia está sujeita à liquidação do exercício passado, que só se encerra a 28 de fevereiro deste anno, e que as despezas por pagar dos mezes de novembro e dezembro absorvem completamente esse saldo, segundo nos asseverou o presidente da Camara.
 As esperanças, que muita gente depositava no auxilio pecuniário da parte do governo do Estado, para salvar o nosso munici´pio dessa situação embaraçosa, estão hoje completamente dissipadas. O escrupuloso sr. dr. Mauricio de Abreu, presidente do Estado, declarou, segundo nos consta, que por falta de competência e autorisação legal via-se inhibido de corresponder à essas esperanças não o bastante tratar-se de uma calamidade na capital do Estado.
 Terá portanto a Municipalidade de arcar, sozinha com o problema temeroso de fazer obras, quase todas de natureza inadiável, sem os recursos indispensáveis.
 A situação é, pois, bastante grave; e o patriotismo exige que não a aggravemos ainda mais, creando aos cidadãos, que fizeram o sacrifício de suas commodidades e de seus interesses, para aceitar os gratuitos cargos de vereadores, novas dificuldades, como se pretende fazer com o pedido de redução do imposto predial de 10% a 9%.
 Tal redução viria desequilibrar o orçamento ordinário do exercício corrente deixando a Camara desarmado de recursos para fazer face á despezasvotadas, sendo algumas originárias de contractos solemnes, com a luz eléctrica, por exemplo e augmentaria os embaraços da situação creada pela inundação.
 Esta nova opinião não agradará muita gente, bem o sabemos mais, pouco nos importa isso, se ficamos bem com a nossa consciência. O nosso programma não é desorientar propositalmente a opinião pública para tirar disso proveitos.

 Órgão republicano e amigo da situação, nós trataremos de orientar convenientemente a opinião pública que se procura transvial-a.”


domingo, 30 de junho de 2013

SIGNIFICAÇÃO DO DIA 29 DE JUNHO

Guilherme Auler

 Quem nos indica a data, que comemoramos hoje, é o Presidente da Província Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho. Lemos, no seu Relatório de 1° de Março de 1846, a seguinte afirmação: foi em 29 de Junho do ano passado, dia de São Pedro, padroeiro da futura paróquia petropolitana, que ali chegaram os primeiros Colonos Alemães."
 E, os nomes pioneiros apareceram, num dos balancetes da construção do Palácio Imperial, com a assinatura do Major Julio Frederico Koeler, a propósito de gratificações distribuídas por Dom Pedro II. São eles, segundo alfabética de famílias:

Henrique, Jacó e Sebastião,BRAHM;
Francisco Xavier e Inácio, BUMB;
Frederico DEIBERT;
Martim DEISTER;
Felipe I, Felipe II, Frederico, João e Valetim ERBES;
Antonio, Henrique e João Esch;
Frederico e Jacó HOENES;
Pedro HUSCH;
Bernardo HUTTER;
João, José IDSTEIN;
Frederico KUHN
Pedro José KRATZ;
Guilherme KLIPPEL;
João LOOS;
Guilherme, Henrique, João, Jacó e Jorge MONKEN;
Guilherme, João, Jacó I, Jacó II, Pedro, Antonio e Nicolau NICOLAI;
Felipe e Luis PETRI;
João e Jorge de ROCHE;
Frederico I, Frederico II, Valentim SCHEID;
Jorge SCHARZ;
Guilherme e Jacó SCHWEICKART;
Felipe WAGNER;
Matias WEIAND.

 Esse 53 colonos, pertencentes a 26 famílias diversas, com suas mulheres e filhos, totalizam certamente os 140 a que se refere o Major Koeler, no seu ofício de 30 de Junho de 1845.
 Mas a significação do dia 29 de Junho, início do povoamento da primitiva Fazenda do Córrego seco, e portanto data da maior grandeza na história local, surge em todos os depoimentos, em todas as fontes, em unânime concordância.
 Declara-o Dom Pedro II, ao referir-se à Casa Grande da Fazenda do Córrego Seco: "Nesta casa moramos nós, em fim de 47 e princípio de 48, a primeira vez que fomos a Petrópolis, depois de estabelecida a Povoação".
 Afirma-o o Mordomo Paulo Barbosa da Silva na sua carta de 5 de setembro de 1845, dirigida ao imperador: "O que era, há quatro meses, matas virgens, é hoje uma povoação branca, industriosa, alegre e bendizente de V.M.I.". Informa o Major Julio Frederico Koeler, em oficio ao Vice-Presidente da Província, que na chegada dos Colonos, "só havia terra, água e mato". E acrescenta: um único edifício existia, a sua residência, aliás a Casa Grande da Fazenda.
 Outros depoimentos de maior valor, inteiramente insuspeitos encontramos nas palavras de contemporâneos, como Tenente-Coronel Galdino da Silva Pimentel e o também Tenente-Coronel Alexandre Manoel Albino de Carvalho ambos Diretores da Colônia. O primeiro escreve, no seu Relatório de 1848: "E fora de Dúvida que este povoado, que apenas conta quatro anos de existência...". Enquanto o segundo, com a perspectiva de um decênio, no seu Relatório de 1854 comenta: "Remontando à sua origem, observa-se que Petrópolis não existia há dez anos, e que em seu lugar tão somente havia uma Fazenda, denominada Córrego Seco, quase toda coberta de mato contando uma casa de vivenda e dois ou três ranchos de tropeiros"...
 Acha-se, pois, situada a significação do 29 de Junho, pelo pensamento do Imperador, do Mordormo, do próprio Koeler, e dos Diretores da Colônia. relembramos na data, o começo do povoamento de Petrópolis com a chegada dos primeiros colonos. São eles quem se espalham pelos Quarteirões e constroem, com o seu trabalho perseverante, a cidade.
 Ninguém luta em benefício de prioridades, primazias. Rendemos, sim, homenagem à memória dos pioneiros, que possuem a glória indiscutível o povoamento de Petrópolis.
 Desmintam se quiserem, as palavras do Imperador, do Mordomo, de Koeler e de outros contemporâneos...

Tribuna de Petrópolis, 29 de Junho de 1966