“...
Eu vos conjuro em nome da religião, e até no daquelas inocentes criaturas (os
vossos filhos), para que não os mandeis a escola protestante, se vos importa
conservá-los na vossa fé, e ficardes vós sossegados e consolados em vossas
consciências... Conservai a fé, esse tesouro, o único que convosco trouxestes
da vossa cara pátria. Conservai-o com virtude , energia, Constancia e amor
igual às dos caros irmãos que lá deixastes, que não cessam das virtudes
cristãs. Ah! Meus irmãos, não tenho palavras que bastem para recomendar-vos uma
vida santa, em tudo conforme aos princípios da vossa religião; e o meu coração
geme amargamente quando sabe que vós ou com delitos ou com desordens a
manchais... Que direi da desenfreada licença com que alguns de vós abandonam à
dança no momento, em que a mão de Deus vos fere com desventuras, misérias e
provações, as mais penosas? Tal procedimento, meus irmãos, meus irmãos, vos
degrada e vos atraiçoa; e na verdade, como podereis manter-vos na simplicidade
e na inocência dos costumes, que é o mérito principal da vossa laboriosa
condição: Como induzireis os outros a crer que o vosso estado é pobre e falto
de consolações?... Vós enquanto os vosso guias tratam da vossa sorte com as
autoridades competentes, ao passo que eu me canso para que vos não faltem os
socorros temporais e espirituais, vos abandonais à intemperança do divertimento
e às seduções do vício... Estou aflito, eu o repito, no fundo da alma, e vos
peço e conjuro a viver modesta, resignada e virtuosamente, a evitar que as
fadigas a que por vós m entrego não percam o seu mérito, retribuindo-as com uma
vida conforme aos meus conselhos e insinuações. Sei também que existe entre vós
outro motivo de escândalo e de pungente aflição para o meu coração. Alguns dos
católicos se tem unido em matrimonio pelo ministério do pastor protestante,
isto não obstante a minha expressa proibição, não obstante a nulidade do
Sacramento a que se expõem, não obstante o pecado grave a que com tal não
podeis esperar que aos católicos possa dar verdadeiro e eficaz benção quem não
seja Padre católico e quem não tenha em si a santidade e a legitimidade do
ministério sacerdotal... Qualquer dos católicos que quiser casar-se, ou espere
que venha aqui, como tenciono fazer de vem em quando, e eu mesmo o abençoarei
em nome do Sehor, ou se um legítima necessidade tornar urgente o negócio me
procurei na Côrte, apresente-me os papéis em regra das oportunas premissas, e
na minha mesma capela conseguirá a católica e legítima benção, correndo por
minha conta toda a despesa de viagem, e a indenização pela interrupção do
trabalho, a fim de que nada se oponha à paz das consciências, à segurança da fé
e à salvação das almas...”
Desenho de Otto Reimarus, retratando a Praça Coblenz, no canto esquerdo da reprodução podemos ver uma cruz erguida no local aonde foi realizada a primeira missa em Petrópolis.
BIBLIOGRAFIA:
DEISTER, Jorge C. Primeira Missa em Petrópolis. In Revista Ação. pp. 132, 133 e 134 - Junho
de 1949.
Imagem - Acervo Museu Imperial
