terça-feira, 18 de março de 2014

LISTA DOS PREFEITOS DE PETRÓPOLIS DE 1916 A 2016



Nome
Partido
Início do mandato
Fim do mandato
Observações
1
Cândido José Ferreira Martins
2 de agosto de 1916
18 de agosto de 1916
Prefeito interino
2
Oswaldo Gonçalves Cruz
18 de agosto de 1916
31 de janeiro de 1917
Prefeito nomeado pelo governador do estado
3
José Leopoldo Bulhões Jardim
1º de fevereiro de 1917
1º de maio de 1917
Presidente da Câmara Municipal
4
Coronel Domingos de Souza Nogueira
2 de maio de 1917
5 de maio de 1917
Prefeito interino
5
Oscar Weinschenck
5 de maio de 1917
8 de agosto de 1918
Prefeito nomeado pelo governador do estado
6
Coronel Arthur Alves Barbosa
8 de agosto de 1918
30 de setembro de 1918
Vice-presidente da Câmara Municipal
7
Oscar Weinschenck
30 de setembro de 1918
8 de agosto de 1919
Prefeito nomeado pelo governador do estado
8
Eugênio Lopes Barcelos
11 de agosto de 1919
30 de setembro de 1919
Vice-presidente da Câmara Municipal
9
Oscar Weinschenck
30 de setembro de 1919
6 de março de 1920
Prefeito nomeado pelo governador do estado
10
Eugênio Lopes Barcelos
8 de março de 1920
25 de maio de 1920
Vice-presidente da Câmara Municipal
11
Oscar Weinschenck
25 de maio de 1920
2 de julho de 1920
Prefeito nomeado pelo governador do estado
12
José de Barros Franco Júnior
2 de julho de 1920
27 de julho de 1920
Presidente da Câmara Municipal
13
Oscar Weinschenck
27 de julho de 1920
2 de fevereiro de 1921
Prefeito nomeado pelo governador do estado
14
Eugênio Lopes Barcelos
2 de fevereiro de 1921
9 de março de 1921
Vice-presidente da Câmara Municipal
15
Oscar Weinschenck
9 de março de 1921
30 de agosto de 1921
Prefeito nomeado pelo governador do estado
16
José de Barros Franco Júnior
30 de agosto de 1921
6 de maio de 1922
Presidente da Câmara Municipal
17
Oscar Weinschenck
6 de maio de 1922
7 de junho de 1922
Prefeito nomeado pelo governador do estado
18
Eugênio Lopes Barcelos
10 de junho de 1922
23 de setembro de 1922
Vice-presidente da Câmara Municipal
Coronel Arthur Alves Barbosa
19
José de Barros Franco Júnior
23 de setembro de 1922
31 de janeiro de 1923
Prefeito interino - Presidente da Câmara Municipal
20
Alcindo de Azevedo Sodré
31 de janeiro de 1923
6 de março de 1923
Prefeito interino - Vice-presidente da Câmara Municipal
21
Joaquim Francisco Moreira
7 de março de 1923
22 de agosto de 1923
22
Oscar de Azevedo Marques
23 de agosto de 1923
16 de abril de 1924
Prefeito nomeado pelo interventor federal
23
Antônio José Romão Júnior
16 de abril de 1924
10 de agosto de 1924
Prefeito nomeado pelo governador do estado
24
Oscar de Azevedo Marques
10 de agosto de 1924
1º de setembro de 1924
Prefeito interino - presidente da Câmara Municipal
25
Joaquim Francisco Moreira
1º de setembro de 1924
1º de setembro de 1924
26
Oscar de Azevedo Marques
1º de setembro de 1924
1º de janeiro de 1925
Presidente da Câmara Municipal
27
Joaquim Francisco Moreira
2 de janeiro de 1925
8 de abril de 1925
28
Henrique Jorge Rodrigues
8 de abril de 1925
17 de novembro de 1925
Presidente da Câmara Municipal
29
Ernesto Crissiúma Filho
17 de novembro de 1925
27 de janeiro de 1926
Presidente da Câmara Municipal
30
Joaquim Francisco Moreira
28 de janeiro de 1926
30 de abril de 1926
31
Francisco de Avelar Figueira de Melo
30 de abril de 1926
10 de janeiro de 1927
Presidente da Câmara Municipal
32
Joaquim Francisco Moreira
10 de janeiro de 1927
25 de abril de 1927
33
Francisco de Avelar Figueira de Melo
25 de abril de 1927
10 de agosto de 1927
Presidente da Câmara Municipal
34
Antônio Joaquim de Paula Buarque
10 de agosto de 1927
31 de dezembro de 1929
35
Ari Barbosa
31 de dezembro de 1929
24 de outubro de 1930
36
Coronel Romão Veriano da Silva Pereira
27 de outubro de 1930
18 de dezembro de 1930
Interventor
37
Iedo Fiúza
19 de dezembro de 1930
31 de dezembro de 1934
Prefeito nomeado pelo interventor federal
38
Stephane Vannier
31 de dezembro de 1934
4 de janeiro de 1935
Prefeito nomeado pelo interventor federal
39
José de Carvalho Júnior
5 de janeiro de 1935
13 de fevereiro de 1936
Prefeito nomeado pelo interventor federal
40
Iedo Fiúza
13 de fevereiro de 1936
14 de maio de 1936
Prefeito nomeado pelo interventor federal
41
Nestor Ahrends
14 de maio de 1936
5 de agosto de 1936
Prefeito nomeado pelo governador do estado
42
Iedo Fiúza
5 de agosto de 1936
5 de agosto de 1936
43
Carlos Magalhães Bastos
6 de agosto de 1936
4 de outubro de 1936
44
Iedo Fiúza
5 de outubro de 1936
4 de janeiro de 1938
45
Mário Aloisio Cardoso de Miranda
5 de janeiro de 1938
20 de dezembro de 1938
Prefeito nomeado pelo interventor federal
46
Carlos Magalhães Bastos
21 de dezembro de 1938
9 de abril de 1939
Prefeito nomeado pelo interventor federal
47
Alcindo de Azevedo Sodré
10 de abril de 1939
27 de abril de 1939
Prefeito interino
48
Carlos Magalhães Bastos
28 de abril de 1939
2 de abril de 1940
Prefeito nomeado pelo interventor federal
49
Mário Aloisio Cardoso de Miranda
2 de abril de 1940
30 de abril de 1942
Prefeito nomeado pelo interventor federal
50
Márcio de Melo Franco Alves
30 de abril de 1942
14 de abril de 1945
Prefeito nomeado pelo interventor federal
Mário Ferreira de Castro Chaves
15 de setembro de 1943
20 de outubro de 1943
Secretário
51
Alcindo de Azevedo Sodré
14 de abril de 1945
20 de novembro de 1945
Prefeito nomeado pelo interventor federal
52
Flávio Castrioto de Figueiredo Melo
20 de novembro de 1945
2 de março de 1946
Prefeito nomeado pelo interventor estadual
53
Álvaro Correia Bastos Júnior
2 de março de 1946
20 de março de 1947
Prefeito nomeado pelo interventor estadual
54
Mário Medeiros Pinheiro
20 de março de 1947
11 de outubro de 1947
Prefeito nomeado pelo interventor estadual
55
Flávio Castrioto de Figueiredo Melo
11 de outubro de 1947
4 de outubro de 1949
56
Paulo Cordovil Mauriti
4 de outubro de 1949
26 de outubro de 1949
Presidente da Câmara Municipal
57
Flávio Castrioto de Figueiredo Melo
27 de outubro de 1949
23 de janeiro de 1951
58
Jaime Justo da Silva
23 de janeiro de 1951
31 de janeiro de 1951
Presidente da Câmara Municipal
59
Cordolino José Ambrósio
31 de janeiro de 1951
31 de janeiro de 1955
60
Flávio Castrioto de Figueiredo Melo
31 de janeiro de 1955
31 de janeiro de 1959
61
Nelson de Sá Earp
31 de janeiro de 1959
31 de janeiro de 1963
62
Flávio Castrioto de Figueiredo Melo
31 de janeiro de 1963
5 de julho de 1966
63
Rubens de Castro Bomtempo
5 de julho de 1966
21 de julho de 1966
Vice-prefeito no cargo de Prefeito
64
Fernando Sérgio Aires da Mota
21 de julho de 1966
31 de janeiro de 1967
Prefeito nomeado pelo Governo Federal
65
Paulo Monteiro Gratacós
MDB
31 de janeiro de 1967
20 de outubro de 1969
66
Paulo José Alves Rattes
MDB
21 de outubro de 1969
31 de janeiro de 1971
Vice-prefeito no cargo de Prefeito
67
João Ézio Caldara
MDB
31 de janeiro de 1971
31 de janeiro de 1973
68
Paulo José Alves Rattes
31 de janeiro de 1973
31 de janeiro de 1977
Prefeito eleito
69
Jamil Miguel Sabrá
31 de janeiro de 1977
31 de janeiro de 1983
Prefeito eleito com mandato de seis anos
70
Paulo José Alves Rattes
31 de janeiro de 1983
31 de dezembro de 1988
Prefeito eleito com mandato de seis anos
71
Paulo Monteiro Gratacós
1º de janeiro de 1989
31 de dezembro de 1992
Prefeito eleito
72
Sérgio Fadel
PDT
1º de janeiro de 1993
31 de dezembro de 1996
Prefeito eleito
73
Leandro José Mendes Sampaio Fernandes
PSDB
1º de janeiro de 1997
31 de dezembro de 2000
Prefeito eleito
74
Rubens José de França Bomtempo
PDT
1º de janeiro de 2001
31 de dezembro de 2004
Prefeito eleito
75
Rubens José de França Bomtempo
PSB
1º de janeiro de 2005
31 de dezembro de 2008
Prefeito reeleito
76
Paulo Roberto Mustrangi de Oliveira
PT
1º de janeiro de 2009
31 de dezembro de 2012
Prefeito eleito
77
Rubens José de França Bomtempo
PSB
1º de janeiro de 2013
31 de dezembro de 2016
Prefeito eleito

Notas
  1. Nilo Peçanha nomeou Oswaldo Cruz em 30 de julho de 1916, mas devido ao estado de saúde precário do cientista, ele só assumiu o posto em 18 de agosto de 1916, pedindo licença do cargo em 31 de janeiro de 1917.
  2. Arthur Alves Barbosa deveria ter sido empossado em 23 de setembro de 1922, após ter vencido a eleição contra Joaquim Moreira. No entanto, este recorreu contra o resultado, assumindo a prefeitura o presidente da Câmara Municipal, José de Barros Franco Júnior. Por fim, o Tribunal da Relação do Estado deu ganho de causa a Joaquim Moreira, que tomou posse diante do Juiz de Direito de Petrópolis em 7 de março de 1923.
  3. Ao se candidatar a vereador, Oscar de Azevedo Marques passou o cargo a Antônio José Romano Júnior.
  4. Por já ser senador da República, Joaquim Moreira tomou posse e, na mesma hora, passou o cargo para o presidente da Câmara Municipal, reassumindo-o nos recessos de seu trabalho no Distrito Federal.
  5. Ari Barbosa perdeu o cargo como resultado da Revolução de 1930.
  6. Iedo Fiúza pediu exoneração do cargo para candidatar-se à eleição realizada no mesmo ano.
  7. Ocupado com a Direção do Departamento de Estradas e Rodagem, Iedo Fiúza solicitou 60 dias de licença.
  8. Durante o Estado Novo, Iedo Fiúza foi impedido de acumular suas funções como prefeito de Petrópolis e diretor do Departamento de Estradas e Rodagem.
  9. Ao ocupar uma das Secretarias do Estado, Mário Aloisio Cardoso de Miranda deixou a prefeitura.
  10. Durante a gestão de Márcio de Melo Franco Alves, o secretário Mário Ferreira de Castro Chaves respondeu pelo Expediente entre 15 de setembro e 20 de outubro de 1943, de acordo com os Atos e Portarias da época, embora sem ter sido empossado como prefeito.
  11. Com o fim do Estado do Novo, Alcindo Sodré foi substituído por Flávio Castrioto.
  12. O fim do mandato de Paulo Roberto Mustrangi de Oliveira é apenas indicativo.

FONTE:
Wikipédia - Lista dos Prefeitos de Petrópolis



UM DISCO VOADOR EM PETRÓPOLIS

Notícia de domingo do JORNAL DO POVO do dia 11 de Abril de 1950

OBSERVADO EM PETRÓPOLIS UM “DISCO VOADOR”

Sobrevoa o quartel da Presidência um desses engenhos desconcertantes e misteriosos.

Os famosos “discos voadores”, misteriosos aparelhos vêm, provocando os mais desencontrados comentários da imprensa mundial e já apareceram, ao que informam as agencias telegráficas, em quase todos os países, deram por ser vistos, ultimamente, sob os céus petropolitanos.
Ainda há poucos dias noticiávamos o aparecimento de um desses exquisitos engenhos em São José do Rio Preto, onde vários moradores do local afirmaram haver distinguido nitidamente a sua luminosa passagem, a grande velocidade, sôbre esses distrito extremo de Petrópolis.
Muitas pessoas duvidaram da veracidade da afirmação, dizendo tratar-se, apenas de visão delirante de algum emocional, que assim tomava vulto e, com o exagero que em geral, nesses casos se verifica, teria tomado foros de verdade, embora nada confirmasse o incompreensível fenômeno.
Agora, porém, a fonte de informação é insuspeitável, pois a própria oficialidade do III 3º R. I. presenciou o fato, que confirma.

COMO SE VERIFICOU O APARECIMENTO

Ontem, mais ou menos às 13 horas, o cap. Alberto Carlos Mendonça Lima, de serviço naquela unidade no nosso Exército, vislumbrou no firmamento um grande disco luminoso, impossível de confundir-se com algum astro tal a sua conformação e cor.
Imediatamente, a oficialidade da referida corporação militar, binóculo em punho, passou a observar o desconcertante aparelho.
Procurando maiores esclarecimentos, JORNAL DO POVO ouviu a palavra do tenente Mario Roca Dieguez, que informou ter observado o estranho aparecimento por mais de duas horas.
Do formato realmente de um disco movimentava-se lentamente, chegando, mesmo, por vezes, a parar no espaço. Estava à altura aproximada de 3.000 metros, sendo de côr prateada.
O sr. Silvio Branco, também ouvido, disse o seguinte:
- O objeto tinha uma coloração prateada e, embora se achasse a grande altura, não era possível confundi-lo com algum astro ou pássaro. Contudo, eu não posso precisar tratar-se de um “disco voador”.
A professora Franci Ferreira de Souza, da Escola Progresso, na rua Paulino Afonso, a qual nos avisou do ocorrido, também afirmou ter visto o “disco voador”.

Assim, pois temos confirmada a aparição desse objeto misterioso, que tantos tratos tem dado à imaginação de todos nós.


sexta-feira, 14 de março de 2014

O PRÉDIO DA CÂMARA MUNICIPAL DE PETRÓPOLIS

O artigo abaixo é de autoria do historiador e primeiro diretor do Museu Imperial de Petrópolis, Alcindo Sodré, publicado no Jornal de Petrópolis em 21 de junho de 1959. No texto Sodré, nos conta a história da Câmara MunIcipal, desde o primeiro prédio na Rua Paulo Barbosa, aonde hoje está erguido o edificio Rocha até a compra do atual prédio, o Palácio Amarelo e nos conta fatos interessantes como a festa em comemoração a lei da Abolição com a presença da Princesa Isabel, no antigo prédio em frente aonde hoje se localiza o Obeslico. 


PAÇO MUNICIPAL
Alcindo Sodré
O Paço Municipal de Petrópolis teve duas sedes alugadas antes da atual e própria.a primeira foi à rua do Mordomo nº 12, hoje Rua Paulo Barbosa. Ali se instalou o Legislativo local como expressão da autonomia de Petrópolis no gozo da cidade, a 17 de junho de 1859. Seu presidente, Albino José de Siqueira , sentou-se na cadeira principal, que era encimada pelo quadro a óleo do pintor Joaquim da Rocha Fragoso, representando dom Pedro II.
A segunda sede do Paço Municipal foi à rua do Imperador, trecho da Bacia, local fronteiro ao eixo da rua da Imperatriz, de propriedade de Rocha Miranda.
Nesse prédio, a 23 de maio de 1886 deu a Municipalidade um grande baile, promovido por Henrique Kopke para obter meios com que fossem satisfeitas às despesas da Primeira Exposição Industrial e Artística de Petrópolis, realizada no Palácio de Cristal, de 9 a 16 mesmo mês. A festa teve a presença da família Imperial e escolhida sociedade, prolongando-se até hora adiantada.
Não fora essa a única vez que sua Majestade, o Imperador honrou com sua presença o Paço Municipal, prestigiando uma iniciativa de que ele participara monetariamente e da qual dissera o Mercantil: “Petrópolis acaba de dar uma prova plena de que – como já o temos dito – não é simplesmente uma cidade de recreio é também um núcleo de trabalhadores”. A 25 de fevereiro de 1881, o Imperador acompanhado de seu camarista conselheiro Miranda Rego, visitou às 11 horas o Paço Municipal onde demorou-se cerca de uma hora percorrendo o edifício examinando a Biblioteca, a oficina de aferição e lembrou a adoção de medidas de melhoramento locais com especialidade as tendentes à salubridade pública.
O Paço Municipal recebeu também a visita da Princesa Isabel. Foi a 21 de maio de 188, por ocasião da grande festa promovida pela Câmara em regozijo ante a lei da Abolição. O comércio fechou. A rua do Imperador estava decorada com arcos, folhagens e bandeiras. Em frente ao Paço da cidade a banda da Casa Imperial tocava em coreto armado. A Câmara incorporada chefiando imponente séquito de que participavam setecentos colegiais, com bandas de música dirige-se para o Palácio onde o presidente pronunciou vibrante discurso. Houve depois te Deum, achando-se no templo o corpo diplomático. Terminada a cerimônia dirigiu-se o cortejo, na companhia de Sua Alteza para o Paço Municipal, onde a Princesa chegou a janela para receber a saudação popular.
Levados os Príncipes ao Palácio, a multidão freqüentou os bailes que se realizaram na sala da Câmara Municipal e nos salões do Bragança e do Floresta.
A 6 de fevereiro de 1876 discutiu-se na Assembléia Provincial o projeto de lei para construção de um prédio para  a Câmara Municipal de Petrópolis, idéia provocada por Paulino Afonso.
Entretanto, o Paço Municipal permaneceria na sede alugada da Bacia até 1894, quando sendo presidente da Câmara, o dr. Hermogênio Pereira da Silva, foi adquirido a 9 de julho pela quantia de 60:000$000, o prédio da atual Praça Visconde de Mauá.
O terreno do hoje vulgarmente conhecido Palácio Amarelo teve como primeiro proprietário o superintendente da Imperial Fazenda, José Alexandro Alves Pereira Ribeiro Cerne, constituído como foro aos 11 de julho de 1850, pelos prazos, 127, 128, 129 registro 557-A. Formavam esses prazos uma superfície de mil e duzentas e setenta braças, e o foro anual era de 25$500. Menos de dois meses após, com autorização do Mordomo, foram eles transferidos em 31 de agosto ao vereador de Sua Majestade o Imperador, José Carlos Mayrink da Silva Ferrão, que construiu a bela residência hoje transformada em Prefeitura de Petrópolis. A 14 de fevereiro de 1891, adquiriu-a do Barão de Guaraciaba, seu último proprietário residente.
Comprado o palacete para sede da Municipalidade, foi retirado o gradil que chegava ao alinhamento da Avenida Sete de Setembro, e feita a Praça existente. Das obras de adaptação introduzidas no edifício destacam-se, o salão destinado a sessões  da Câmara Municipal e a escadaria principal e vestíbulo superior. Todo lindo trabalho de decoração  que fez da sala nobre uma das mais belas jóias nacionais do gênero, é de autoria de José Huss. Este apreciável artista, nasceu na Alsácia a 7 de janeiro de 1852, e com a guerra franco-prussiana de 1870 não pode suportar o domínio alemão em sua terra natal e veio para o Brasil, fixando pouco depois residência em Petrópolis onde desposaria a 30 de julho de 1881, D. Maria Catharina de Schepper, cujo casal houve 7 casal  e sua prole petropolitana  prolonga-se nos dias correntes. A 24 de setembro de 1905, morria nesta cidade esse excelente artista que em sua segunda pátria realizou admirável obra na decoração da Municipalidade, obra que parece haver transfigurado em força de beleza e doçura todo o amargor e desencanto dos sentimentos que o fizeram abandonar a aldeia querida onde recebera a luz da existência.

Fonte:

Jornal de Petrópolis, 21 de Junho de 1959




Palácio Amarelo


domingo, 9 de março de 2014

CRIAÇÃO DA ESCOLA DOMÉSTICA NOSSA SENHORA DO AMPARO

 Em 15 de julho de 1868, Padre Siqueira foi em pessoa apresentar ao imperador dom Pedro II, o programa para a fundação de um estabelecimento pio,  a Escola Doméstica Nossa Senhora do Amparo, mas conhecido pelos petropolitanos apenas como: “Amparo”.  Segue abaixo o programa  entregue em pergaminho na integra ao imperador pelo padre.

“Senhor, com profundo respeito, venho à augusta presença de Vossa Majetsade Imperial, ter a subida honra de apresentar o programa de estabelecimento pio, que tenho projetado e sobre cujo assunto, Vossa Majestade já se dignou ouvir-me.
Esforço-me para ver realizado o meu pensamento confiando em Deus, em Vossa Majestade e no povo brasileiro, cuja caridade não me há de faltar. A educação de um povo Senhor, não está somente nos estudos, que levam ao caminho das ciências. Cada um para o que nasceu e conforme as suas condições. O pobre precisa do trabalho como riqueza, para isso, a instrução apropriada, o costume e a moralidade se tornam indispensáveis.
Atualmente, quando os altos poderes do Estado se ocupam da importante questçao sobre a emancipação da escravatura, é quando julgo mais oporturno por em prática o meu pensamento; então não me parece somente de utilidade ou caridade, considero antes como necessidade.
Tenho permanecido em algumas das províncias do Império e tenho encarado com atenção para a educação da pobreza que constitui a maioria do país; e o que vi, Senhor! Foi que se limitava ao ensino tosco da nossa língua e das quatro operações – a religião completamente esquecida, os maus costumes, a indiferença pelo trabalho, os vícios, enfim, dominando a criança desde a tenra idade, crescendo com elas para serem transmitidas à nova geração, pois foi esse o legado de seus pais.
Então fui impelido a revelar e por em prática o meu pensamento a tal ponto, que o silêncio por mais tempo convencer-me-ia de uma falta grave perante Deus e a sociedade.
O meu pensamento, senhor é de criar um estabelecimento para a pobreza, a mais desvalida, a do sexo feminino, dando-lhe uma educação conveniente para o serviço doméstico proporcionada à condição que lhe foi destinada pela Providência Divina. Convencido de que assim cumprirei com um dever como sacerdote, servindo à religião de Nosso Senhor Jesus Cristo e à sociedade a que pertenço resignado e cheio de confiança só espero pela aprovação de vossa Majestade para dar principio à referida obra.”

PROGRAMA PARA CRIAÇÃO DE UM ESTABELECIMENTO PIO PARA O SEXO FEMININO

Capítulo I
Do Estabelecimento

Art.1° - Terá por título Escola Doméstica de Nossa Senhora do Amparo
Art.2º - Seu fim é dar educação apropriada as meninas pobres, apara servirem em casas de famílias, como criadas, ficando, entretanto , sob a proteção da Escola, até que se achem em condições que as dispensem e que estão marcadas neste programa.
Art.3º - Terá uma capelania sob invocação da mesma Senhor do Amparo.

Capítulo II
Da Administração


Art.1º - A Administração será composta de dois sacerdotes, um reitor capelão e de um vice-reitor como coadjutor; e a interna de um número conveniente de Irmãs de Caridade que tomarão conta do ensino e direção das meninas.
Art.2° - As obrigações relativos ao Reitor e Vice-Reitor, às Irmãs de Caridade e à Superiora respectiva, se acharão nos estatutos que serão apresentados no tempo competente.
Capítulo III
Do Ensino

Art.1º -  As matérias de ensino resumem-se ao seguinte:
§1º - Doutrina Cristã e história sagrada, etc.
§2º - Ler e escrever bem a língua nacional e as quatro operações de aritmética.
§3º - Arranjos domésticos.
§4º - Costura, bordados, tecidos e flores.
§5º - Cozinha, lavagem e engomado.
§6º- Cultura de horta e jardim no que diz respeito à conservação ou tratamento.
Art.2º - Os trabalhos serão divididos em duas grandes classes:
§1º - A primeira classe compor-se-á de meninas de 7 a 12 anos que receberão o ensino menos pesado e que sua tenra idade e desenvolvimento comportarem.
§2º - A segunda será das meninas de 12 a 18 anos, que receberão todo o ensino da escola.
Art.3º - Todos os trabalhos relativos aos serviços interno da escola serão feitos pelas meninas, distribuídos semanalmente, como objeto de ensino, porém sempre de acordo com o artigo 2º deste capítulo.
Capítulo IV
Da Recepção ou admissão.

Art.1º - Serão admitidas somente meninas de 7 a 12 anos de idade, órfãs ou filhas de famílias de pobres, cujos pais ou tutores queiram confiá-las ao estabelecimento, com o fim de servirem como criadas, quando tenham completado o tirocínio marcado.
Art.2º - Quando os pais ou tutores quiserem um lugar na escola para suas filhas ou tuteladas, devem requerer ao reitor, apresentando documentos que atestem sua pobreza, bem como uma declaração autenticada pela autoridade civil se dua freguesia, fazendo constar que desiste de todo o direito de ação que pode ter sobre as meninas, enquanto for pensionista da escola.
Art.3º - O número de meninas será fixado anualmente, segundo os recursos de que dispuser o estabelecimento.
Art.4º - Haverá um livro de matricula das meninas onde serão declarados os nomes de seus pais, tutores e naturalidade, bem como todas as notas relativas ao comportamento de cada uma delas, enquanto dependerem da Escola.
Art.6º - Serão igualmente consideradas tuteladas e sob todas as condições acima postas, aquelas meninas nascidas, embora de ventres cativos, porém cujos senhores ou senhoras as libertarem com o fim de lhes darem uma educação apropriada à condição, e depois irem servir como criadas, nas mesmas casas em que nasceram.
Art.7º – Logo que o estabelecimento tenha proporções receberá também crianças que não necessitem mais de ser amamentadas, para acabar de cria-las e educa-las, devendo ser pajeadas pelas alunas mais antigas, entrando isso na ordem do ensino.

Capítulo V
Da retirada

 Art. 1º - Completa a idade de 18 anos, estão as meninas aptas para seguirem seu destino, ficando, entretanto, sob a proteção da Escola até a idade de 21 anos.
Art.2º - Serão entregues para servirem como criadas à famílias conhecidas pela sua posição e virtudes ou a colégios de meninas, que gozem de consideração, que as procurarem na Escola, requerendo ao Reitor e obrigando-se às condições nos parágrafos seguintes:
§1º - Dar uma pequena esmola ou jóia ao estabelecimento para sua manutenção,  que será marcada nos estatutos.
§ 2º - Pagar a menina uma mensalidade pequena irá subindo anualmente até a idade de 21 anos, de cuja data em diante a menina ficará sobre si e será segundo o contrato que então fizerem.
§3º - Se antes da menina completar a idade de 21 anos, não quiser mais os seus serviços deverá levá-la e entregar ao estabelecimento.
§4º - Quando dispensar os serviços da criada, deverá informar escrupulosamente sobre o seu comportamento e aptidão, em uma caderneta bem feita, que para esse fim será fornecida pela Escola, que acompanhará a criada como recomendação do seu préstimo e conduta.
Art.3º - As famílias que tiverem tomado criadas na escola e que depois forem privadas delas por motivos extraordinários e quiserem tirar outra como substituta, justificando esses motivos, ficam dispensados de dar outra esmola ou jóia.
Art.4º - Os pais podem, quando suas filhas queiram, retira-lás sem ônus algum, da escola, tendo completado o tirocínio marcado ou a idade de 18 anos, ficando, desde então, inteiramente desligadas do estabelecimento. Para isso, deverão requerer ao reitor, declarando qual o destino que lhes vão dar.
Art.5° - Os tutores terão sempre preferência para retirarem suas pupilas, satisfazendo, entretanto, as condições do artigo 2 do Capítulo V.
Art.6° - O casamento será sempre atendido em primeiro lugar, quando as meninas amam e se reconheça que o pretende poderá fazer a sua felicidade; podendo isso ser proporcionado pelos tutores ou protetores.

Capítulo VI
Economia da escola

Art.1º - Em todos os arranjos da Escola para acomodações, trabalhos, alimentação, vestuários e outros misteres, será sempre observada a maior simplicidade, economia e asseio.
Art.2º - O vestuário será apropriado ao serviço a que as meninas se destinam, sendo as costuras feitas por elas próprias.
Art.3º - Haverá uma enfermaria custeada por elas.

Capítulo VII
Disposições gerais

      Art. Único -  Os artigos deste programa servirão de base para a organização dos estatutos da escola, que no tempo competente serão apresentados a fim de recebida a aprovação, merecerem igualmente o necessário apoio do Governo Imperial.

ORÇAMENTO DA DESPESA PROVÁVEL COM A CONSTRUÇÃO DO EDÍFICIO PARA A ESCOLA E SEUS ACESSORIOS PARA COMEÇAR A FUNCIONAR
Construção do edifício .......................................... 60:000$000
Mobilia e outros acessórios................................... 8:000$000
Eventuais............................................................... 7:000$000
                                                                              75:000$000

ORÇAMENTO DE DESPESA PROVAVEL COM O CUSTEIO ANUAL DA ESCOLA

Alimentação do pessoal ...................................... 24:000$000
Vestuário ............................................................. 3:400$000
Despesa do material para ensino ....................... 1:000$000
Ordenado dos empregados ................................ 4:000$000
Eventuais ............................................................ 3:600$000
                                                                            36:000$000




Bibliografia:
ÁUREA, Madre. O Padre Siqueira – sua via e sua obra. Ed. Vozes, Petrópolis. 2013

Escola Doméstica Nossa Senhora do Amparo, Petrópolis-RJ. 2012




sexta-feira, 7 de março de 2014

PLANO KOELER

PLANO KOELER: URBANISMO, ORDENAMENTO TERRITORIAL E A FORMAÇÃO DA CIDADE DE PETRÓPOLIS

A formação de Petrópolis, na primeira metade do século XIX, esteve diretamente relacionada ao projeto político e urbanístico do Segundo Reinado e, particularmente, à iniciativa do imperador D. Pedro II de transformar a antiga Fazenda do Córrego Seco em uma residência de verão e, simultaneamente, em uma povoação organizada. Nesse processo, destacou-se a atuação do major Júlio Frederico Koeler, responsável por conceber e executar um plano de ocupação territorial que se tornaria conhecido como Plano Koeler.

Mais do que um simples projeto de arruamento, o Plano Koeler representou uma proposta de organização espacial que articulava as características naturais da região serrana com princípios de higiene, salubridade, circulação, arborização e ocupação ordenada dos terrenos. Sua concepção contribuiu decisivamente para conferir a Petrópolis uma configuração urbana singular no contexto brasileiro oitocentista.

O projeto também esteve relacionado à criação da Imperial Colônia de Petrópolis e à chegada dos colonos germânicos, em 1845. Dessa forma, a cidade nasceu da combinação entre interesses da monarquia, planejamento urbano, imigração e aproveitamento racional do território.

1. A Fazenda do Córrego Seco e o início do projeto

Após o arrendamento da Fazenda do Córrego Seco, Koeler iniciou as providências necessárias para transformar os planos do imperador em realidade. Em 17 de outubro de 1843, tiveram início as primeiras obras de infraestrutura, tendo a antiga casa da fazenda sido utilizada como sede administrativa das atividades relacionadas à construção da futura povoação.

Poucos dias depois, em 30 de outubro de 1843, o mordomo da Casa Imperial, Paulo Barbosa da Silva, confirmou as instruções referentes ao aforamento dos terrenos que constituiriam Petrópolis, seguindo as orientações apresentadas por Koeler.

Essas determinações foram fundamentais para estabelecer um padrão de ocupação territorial. O objetivo não era simplesmente dividir a propriedade em lotes, mas criar uma povoação previamente organizada, na qual as construções, as ruas, os espaços públicos e a vegetação obedecessem a determinadas regras.

O regulamento elaborado a partir das sugestões de Koeler demonstrava uma preocupação incomum, para a época, com o ordenamento urbano. As suas disposições procuravam impedir a ocupação desordenada e estabelecer padrões mínimos para a construção e conservação dos imóveis.

2. As disposições do Plano Koeler

Entre as determinações estabelecidas para os terrenos estavam a concessão de prazos quadrilongos, com aproximadamente 55 metros de frente por 110 metros de fundo, além da proibição de sua subdivisão. A medida procurava preservar a configuração original dos lotes e impedir que o crescimento da povoação produzisse uma ocupação excessivamente adensada.

Também se determinava que os terrenos fossem edificados dentro de um período estabelecido, geralmente entre dois e quatro anos. As edificações deveriam ser construídas próximas às ruas e praças, evitando que as construções fossem implantadas de maneira aleatória no interior dos terrenos.

Outro aspecto significativo era a necessidade de aprovação prévia das fachadas dos edifícios. Essa exigência revela a preocupação de Koeler não apenas com a funcionalidade, mas também com a aparência e a unidade arquitetônica da nova povoação.

O regulamento estabelecia ainda medidas relacionadas à infraestrutura e ao paisagismo. Os proprietários deveriam construir calçadas com determinada largura, cercar ou murar os terrenos e realizar o plantio de árvores junto às vias públicas e praças.

Essas normas demonstram que o Plano Koeler possuía características que hoje seriam associadas ao planejamento urbano e ambiental: definição de lotes, controle das edificações, organização das vias, arborização e preservação de determinadas condições de salubridade.

3. Os rios como elementos estruturadores da cidade

Um dos aspectos mais marcantes do planejamento de Koeler foi o aproveitamento da geografia natural da região.

Em vez de ignorar os cursos d'água existentes, o major incorporou-os à estrutura urbana. Os rios passaram a funcionar como importantes elementos orientadores do traçado das ruas e avenidas. Essa característica diferencia Petrópolis de muitas cidades brasileiras que cresceram sem planejamento prévio e posteriormente precisaram adaptar seus sistemas viários às condições naturais.

O traçado urbano procurava, portanto, estabelecer uma relação entre a ocupação humana e o ambiente serrano. As vias acompanhavam, em diversos pontos, os cursos dos rios, enquanto os terrenos eram distribuídos de maneira a integrar áreas residenciais, espaços públicos e áreas destinadas à agricultura e à produção.

A água, elemento indispensável à sobrevivência da povoação, também assumia importância simbólica e paisagística. A presença dos rios contribuiu para a identidade urbana de Petrópolis e para a imagem de cidade integrada à natureza que posteriormente se consolidaria.

4. A Vila Imperial e a presença da elite da Corte

No centro do projeto encontrava-se a Vila Imperial, área destinada a abrigar importantes membros da sociedade imperial. A distribuição dos prazos nessa região esteve relacionada ao desejo de D. Pedro II de possuir ao seu redor vizinhos pertencentes à elite política, diplomática e social do Império.

A escolha do local destinado ao Palácio Imperial também evidencia a participação direta do monarca no processo de construção da cidade. Embora Koeler tivesse sugerido uma área próxima à atual Praça D. Pedro II, o imperador optou pelo chamado Monte de Santa Cruz, onde seria posteriormente construído o palácio que hoje abriga o Museu Imperial.

A Vila Imperial assumiu, assim, função central na nova povoação. Ao seu redor desenvolveram-se atividades comerciais, artesanais e residenciais, contribuindo para a formação do núcleo urbano de Petrópolis.

A presença de membros da Corte também conferiu à cidade uma característica peculiar: Petrópolis não surgiu apenas como uma colônia agrícola ou núcleo de imigrantes, mas como uma povoação diretamente vinculada à residência de verão da família imperial e à vida política e social do Império.

5. Os quarteirões coloniais e a imigração germânica

Ao redor da Vila Imperial, Koeler organizou os chamados quarteirões coloniais, destinados principalmente à instalação dos colonos germânicos que chegaram à região a partir de 1845.

A organização desses espaços procurava conciliar a atividade agrícola dos colonos com a estrutura urbana da nova povoação. A escolha dos nomes dos quarteirões também possuía uma dimensão simbólica e cultural, uma vez que muitos deles faziam referência às regiões de origem dos imigrantes.

Entre essas denominações encontravam-se Renânia, Palatino, Westfália, Bingen, Mosela, Siméria, Ingelheim, Castelânea, Darmstadt, Worstadt, Wormstadt e Nassau.

A nomenclatura funcionava como uma espécie de representação da memória coletiva dos imigrantes. Ao reproduzir nomes associados às suas regiões de procedência, o planejamento territorial incorporava elementos da identidade cultural dos colonos à própria geografia de Petrópolis.

Nesse sentido, o Plano Koeler não deve ser compreendido exclusivamente como um projeto de engenharia ou urbanismo. Ele também participou da construção simbólica da cidade, articulando a presença da monarquia brasileira com a imigração europeia.

6. A memória expressa nos nomes dos rios

Outro elemento característico da concepção de Koeler foi a atribuição de nomes aos rios e cursos d'água em homenagem a personalidades relacionadas à criação e ao desenvolvimento da colônia.

Entre essas denominações encontram-se referências a figuras como Paulo Barbosa, Aureliano, Porto Alegre, Simonsen, Alpoim e Ave-Lallemant, entre outras.

A prática demonstra que a própria paisagem urbana funcionava como instrumento de preservação da memória. Os nomes dos rios e quarteirões registravam personagens, lugares e acontecimentos associados à formação de Petrópolis.

A cidade, dessa maneira, foi sendo construída não apenas por ruas e edificações, mas também por uma toponímia que preservava parte de sua história.

7. Arborização, paisagismo e a imagem de cidade-jardim

Um dos aspectos mais modernos do Plano Koeler foi a preocupação com a arborização e com o paisagismo urbano. O plantio de árvores nas calçadas e praças fazia parte das determinações destinadas aos moradores, revelando que a vegetação era entendida como componente essencial da nova cidade.

O planejamento das margens dos rios, associado à arborização das ruas e à presença de jardins particulares, contribuiu para a criação de uma paisagem urbana diferenciada.

A tradição paisagística de Petrópolis seria posteriormente reforçada pela presença de espécies ornamentais, entre elas as hortênsias, magnólias e paineiras, que passaram a integrar a imagem da cidade.

Essa integração entre arquitetura, arborização, rios e relevo contribuiu para a construção da reputação de Petrópolis como uma cidade particularmente associada aos jardins e à natureza. A ideia de uma “cidade-jardim” tornou-se, ao longo do tempo, parte importante da identidade histórica e turística do município.

É importante, contudo, compreender o Plano Koeler dentro de seu contexto histórico. A expressão “cidade-jardim” é frequentemente utilizada para caracterizar a paisagem de Petrópolis, mas o conceito urbanístico formal de “Garden City” seria elaborado décadas depois, no final do século XIX, pelo urbanista inglês Ebenezer Howard. Assim, a associação entre Petrópolis e a ideia de cidade-jardim deve ser compreendida como uma caracterização posterior de suas qualidades paisagísticas e urbanísticas, e não como uma aplicação direta da teoria de Howard.

O Plano Koeler constituiu um dos principais fundamentos da organização territorial de Petrópolis no século XIX. Sua importância ultrapassa a simples elaboração de ruas e lotes, pois estabeleceu princípios de ocupação que procuravam harmonizar o crescimento da povoação com as características naturais da Serra da Estrela.

A definição das dimensões dos terrenos, o controle das construções, a obrigatoriedade de cercamento, a construção de calçadas, a arborização e, sobretudo, a integração dos rios ao sistema viário revelam uma concepção urbanística bastante cuidadosa para o período.

Ao mesmo tempo, o plano articulou diferentes dimensões da sociedade imperial. A Vila Imperial aproximava a nova cidade da Corte; os quarteirões coloniais recebiam os imigrantes germânicos; a toponímia registrava personagens e regiões ligadas à formação da colônia; e o paisagismo contribuía para criar uma identidade urbana própria.

O resultado foi uma cidade cuja configuração original ainda pode ser percebida em diferentes elementos de seu centro histórico. As ruas, os rios, os quarteirões e parte da organização territorial constituem testemunhos materiais de um projeto concebido na década de 1840 e que marcou profundamente a história urbana de Petrópolis.

Dessa forma, compreender o Plano Koeler significa compreender uma das bases fundamentais da própria formação de Petrópolis. Seu legado não está apenas nos traçados urbanos que chegaram até o presente, mas também na concepção de uma cidade planejada, integrada à paisagem e organizada segundo princípios que procuravam conciliar os interesses da monarquia, da imigração e do desenvolvimento da nova povoação.

 

Referências bibliográficas

FROÉS, Carlos Oliveira. Detalhes interessantes sobre o Plano Koeler. Instituto Histórico de Petrópolis. Disponível no acervo digital do IHP.

RABAÇO, José Henrique. História de Petrópolis. Petrópolis: Instituto Histórico de Petrópolis, 1982.

INSTITUTO HISTÓRICO DE PETRÓPOLIS. Documentação histórica referente à formação de Petrópolis e ao Plano Koeler. Petrópolis: IHP.

MUSEU IMPERIAL. Documentação e estudos sobre a formação de Petrópolis e o período imperial. Petrópolis: Instituto Brasileiro de Museus/Museu Imperial.


    Planta de Petrópolis, desenhada pelo Major Julio Frederico Koeler em 1846